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Rodrigo Santoro não curtiu vilão de 'Três Horas para Viver' e resolveu mudar o personagem

via Instagram @rodrigosantoro

Rodrigo Santoro estreia nesta quinta-feira, 29 de outubro, o filme Três Horas para Viver. Mas nem tudo foi amor à primeira vista com o roteiro. Quando leu o texto pela primeira vez, o ator não gostou do personagem Damián Zaldívar, achando que ele era apenas um retrato protocolar e tradicional dos vilões que costumamos ver em filmes de ação.

Santoro não aceitou o papel do jeito que veio e passou duas semanas conversando com o diretor Scott Waugh via Zoom. O objetivo era transformar o personagem, e o ator conseguiu convencer o diretor a fazer mudanças, incluindo a inserção de falas em português no diálogo do vilão.

Rodrigo Santoro é um ator e dublador brasileiro com longa trajetória internacional. Com mais de 20 anos de experiência em Hollywood, ele busca se relacionar com as histórias que escolhe e tem focado em projetos que tragam temas sociais para a tela.

A briga pelo órgão

O longa, que foi rodado na Austrália, gira em torno de Hank Malone, interpretado por Alan Ritchson. Hank é um runner, um entregador de elite que transporta encomendas variadas. A trama esquenta quando ele recebe a missão de levar um fígado para salvar uma menina de sete anos.

O problema é que o órgão é cobiçado por Damián, o chefe de cartel interpretado por Santoro. Damián é descrito como violentíssimo e tem motivos próprios para tentar roubar o órgão. Para completar a missão, Hank conta com a ajuda de Ben Bishop, um médico tagarela vivido por Owen Wilson.

O improviso que mudou tudo

A ideia de colocar o português na boca de Damián nasceu de um momento espontâneo durante um ensaio. Santoro soltou um palavrão de improviso e o diretor Scott Waugh, que a princípio achou que o ator estava falando espanhol, embarcou na ideia depois de entender o que havia acontecido.

No filme, a nacionalidade de Damián não é revelada explicitamente, mas ele alterna entre o inglês e o português. Isso gera até cenas de provocação, como quando Hank ironiza o sotaque do vilão. Embora a cena pudesse ser interpretada como uma crítica ao preconceito contra imigrantes e latinos, Santoro disse que discorda dessa leitura.

Em trabalhos anteriores, como no faroeste Em Busca da Justiça, de 2016, onde contracenou com Natalie Portman interpretando Fitchum, Santoro teve que fazer o esforço oposto e esconder o próprio sotaque para se adequar ao papel. Ele avalia que o mercado internacional mudou para melhor e que esse esforço de apagar a origem não é mais necessário hoje em dia.

Além da ação e outros projetos

Mesmo sendo um filme de ação, Três Horas para Viver levanta a discussão sobre a doação de órgãos e de sangue. A trama mostra que quase todos os personagens têm histórias familiares marcadas por pessoas que poderiam ter sido salvas se houvesse a doação. Santoro aproveitou para exaltar o trabalho de profissionais que arriscam a vida, como bombeiros, enfermeiros e médicos.

Sobre a escolha de seus papéis, Santoro afirma que a essência do seu critério continua a mesma desde o início da carreira: ele precisa se relacionar com a história, embora esse critério amadureça com a experiência.

Essa busca por temas relevantes aparece em outros trabalhos recentes. Em O Último Azul, filme de 2025 dirigido por Gabriel Mascaro, ele interpreta Cadu, um barqueiro que se mostra machão, mas revela um lado sensível e apaixonado. O ator se interessou pelo projeto por causa do diretor e da abordagem sobre o etarismo.

Já em Corrida dos Bichos (2026), Santoro interpreta Abu, o showrunner de uma competição mortal em formato de videogame na vida real. Apesar de compararem a trama com Jogos Vorazes, o ator explica que o roteiro foi escrito muito antes e foca em abismos sociais e catástrofe climática dentro de uma distopia. Para ele, mesmo quando um filme não se aprofunda totalmente em um tema, ele cumpre o papel de apresentar a questão ao público.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.