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Dom de Iludir chega à Netflix com aquele melodrama que a gente ama

via Instagram @marietaseveroo

A Netflix estreou em 28 de outubro de 2026 a série Dom de Iludir, que chega como a nova aposta da plataforma no gênero do melodrama brasileiro. A produção, feita em parceria com a Conspiração, foca em conflitos intensos e relações familiares complexas, seguindo a trilha de sucesso de Pedaço de Mim, que também levou o formato de novela para o streaming em 2024.

Para adaptar a tradição das novelas, que geralmente têm centenas de capítulos, a Netflix reorganizou a narrativa em histórias mais curtas. A ideia é manter a carga emocional e as revelações bombásticas, mas com um ritmo muito mais ágil. Dom de Iludir entrega isso em 10 episódios, evitando desvios desnecessários para que a gente consiga maratonar sem perder o fio da meada.

Um trio de peso e trama envolvente

O elenco é liderado por Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costta, que entregam uma química absurda na tela. A direção geral está nas mãos de Mauro Mendonça Filho, que já mostrou que manja tudo de tensão em produções como Verdades Secretas e O Outro Lado do Paraíso.

A história mistura drama com suspense e flerta com o universo do true crime, ambientando os conflitos na elite do Rio de Janeiro. A trama gira em torno de Lúcia Rossetti, vivida por Marieta Severo. Ela é uma colecionadora de arte e mãe dedicada que, ao enfrentar a doença incurável da filha, Maíra, interpretada por Alice Wegmann, acaba em um estado de extrema fragilidade.

É nesse momento que entra Irina, vivida por Nanda Costta, uma mulher que sabe exatamente como manipular a vulnerabilidade alheia usando a espiritualidade. O que começa com um golpe financeiro logo vira um problema muito maior, expondo famílias marcadas por controle, ressentimento, culpa e amor, tudo isso sob a imagem de um castelo de vidro.

Personagens cinzas e manipulações

O ponto alto da série é que ela foge daquela divisão chata entre quem é totalmente bom e quem é totalmente mau. As personagens são complexas e ambíguas. Maíra, por exemplo, fica oscilando entre a vontade de ser independente, a empatia e a culpa. Já Lúcia mistura o cuidado real com a filha com um controle obsessivo, o que tira a relação delas de um lugar simples de certo ou errado.

Até a Irina, que parece a vilã da história, tem suas camadas. Ela não age por pura maldade, mas por sobrevivência, usando o afeto como uma ferramenta para enfrentar estruturas de poder. No fim das contas, nenhuma das três mulheres é apenas vítima ou algoz.

O conceito de ilusão, que dá nome à série e aparece na trilha sonora com a voz de Liniker, reflete como cada personagem interpreta seus próprios vínculos. A obra mostra que, às vezes, não é preciso mentir para enganar alguém; basta oferecer aquilo que a pessoa mais quer acreditar.

Ritmo e execução

Dom de Iludir entrega tudo o que a gente espera de um melodrama: segredos, dilemas morais, romance e planos maquiavélicos. O ritmo é acelerado, o que ajuda a prender a atenção, embora isso faça com que algumas situações evoluam rápido demais. Se tivéssemos um pouco mais de tempo para explorar as consequências emocionais de certos conflitos, seria perfeito. A trilha sonora também poderia ter sido mais intensa em algumas cenas para ajudar na catarse.

Outro ponto interessante é que a principal revelação acontece surpreendentemente cedo. Com isso, a série para de depender tanto do mistério e passa a focar nos desdobramentos da trama e nas ações das personagens, que são o verdadeiro motor da história.

No geral, a produção prova que o melodrama brasileiro tem força para funcionar no streaming, transformando a vulnerabilidade humana em um jogo de disfarces onde a defesa é a única opção. Será que a gente consegue confiar em alguém nessa série ou é melhor já ligar o alerta de golpe?

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.