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Iron Maiden prova que o Brasil é a segunda casa da banda com show épico em SP

via Instagram @brucedickinsonhq

O Ed Force One, avião particular que o Iron Maiden usa na turnê e que é pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson, chegou a São Paulo, onde a banda apresenta a turnê Run for Your Lives. A relação da banda com o país é tão intensa que existe até a piada de que o grupo mora em um condomínio em Vinhedo, dividindo a vizinhança com nomes como Katy Perry e Paul McCartney, e que apenas sai de casa ocasionalmente para fazer turnês.

Essa conexão não é brincadeira. Desde a estreia no Rock in Rio em 1985, onde tocaram para cerca de 300 mil pessoas, o sexteto inglês já visitou o Brasil dezesseis vezes. A cidade de São Paulo, inclusive, é quem mais consome as músicas do grupo no Spotify, somando 1,2 milhão de ouvintes no mês passado. No YouTube, o canal da banda registrou 5,5 milhões de acessos no dia 26 de setembro, reflexo da expectativa pela nova série de shows.

O retorno aos clássicos e a nova formação

O show realizado no domingo, 25 de outubro, no Nubank Parque, focou em faixas lançadas entre 1980 e 1992, deixando de fora apenas o disco No Prayer for the Dying, de 1990. Uma mudança notável no palco foi a presença do baterista Simon Dawson, que assumiu o lugar de Nicko McBrain, aposentado em 2024. Dawson, que veio do projeto British Lion do líder Steve Harris, mostrou-se eficiente e bem entrosado com o baixista, embora tenha um perfil mais discreto que o de seu antecessor.

Para quem esperava a energia máxima, o grupo apresentou as músicas com um andamento um pouco mais vagaroso do que nas gravações originais. No entanto, a entrega foi total, com a performance começando pontualmente ao som de Doctor Doctor, do grupo UFO, canção do grupo UFO, cujo baixista, Pete Way, foi uma das inspirações de Steve Harris.

O espetáculo de Bruce Dickinson e as aparições de Eddie

O ponto alto da noite foi a performance de Bruce Dickinson. Aos 68 anos, o cantor mostrou que a voz continua intacta, acertando em cheio tanto nos agudos de The Number of the Beast e Aces High quanto nos tons mais graves de Hallowed Be thy Name e Fear of the Dark. Isso é especialmente impressionante considerando que ele enfrentou um câncer na língua em 2014, do qual se recuperou no ano seguinte.

Bruce também assumiu o papel de mestre de cerimônias, interagindo com a plateia e soltando os clássicos scream for me São Paulo e scream for me Brazil. Em um momento descontraído, ele comentou que era a hora da cachaça, mas acabou fingindo indignação ao perceber que, na verdade, beberia água. Ele também elogiou o público, definindo o Brasil como um país espetacular.

O mascote da banda, Eddie, garantiu a parte teatral da noite com duas aparições. A primeira foi durante a música Killers, onde a caveira apareceu com um machado e deu um golpe nas partes baixas do Bruce. Mais tarde, Eddie retornou ao palco brandindo uma bandeira durante a execução de The Trooper.

Uma paixão que atravessa gerações

O show, que durou quase duas horas e meia e contou com 17 canções, reuniu fãs de idades completamente diferentes. Esse cenário multigeracional foi destacado por Rod Smallwood, empresário do grupo. Ele comentou que é maravilhoso ver a empolição de adolescentes que estão vendo a banda pela primeira vez, assim como de fãs veteranos, e afirmou que saber o quanto a música da banda significa para cada nova geração é algo que guardam com carinho, e que não há lugar onde isso seja mais evidente do que no Brasil.

O encerramento aconteceu com Wasted Years, faixa do álbum Somewhere in Time, de 1986. Antes de se despedir e possivelmente retornar ao descanso em Vinhedo, Bruce Dickinson deixou uma promessa bem-humorada para a plateia: disse que, assim como James Bond, eles voltariam.

O legado do Heavy Metal britânico

Formado em 1975 em Londres por Steve Harris, o Iron Maiden é o maior representante da new wave of british heavy metal. O som da banda foi construído com influências que vão desde o rock progressivo do Jethro Tull até o hard rock do Deep Purple e o estilo épico do grupo Rainbow.

Essa sonoridade é sustentada pelo trio de guitarras formado por Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers. As letras do grupo também se afastam do clichê do gênero, abordando desde fatos da Segunda Guerra Mundial e personagens históricos, como Alexandre o Grande, até seres sobrenaturais. A banda consolidou sua importância global com álbuns como o de estreia homônimo de 1980, Killers e The Number of the Beast, este último sendo um dos discos de heavy metal mais populares de todos os tempos.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.