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BTS volta ao Brasil com show focado em raízes coreanas e polêmica nos telões

O BTS voltou ao Brasil para três apresentações, iniciando a sequência na quarta-feira, 28 de outubro, em São Paulo. O show no estádio Morumbis reuniu 85 mil pessoas e marcou o retorno do grupo ao país após sete anos. Agora consolidado como o maior artista do pop sul-coreano, o septeto trouxe a turnê Arirang, que foca na celebração das raízes da terra natal, representando uma mudança de rumo em relação à estética de músicas inteiramente em inglês voltadas para o mercado ocidental.

Um dos momentos centrais da noite aconteceu durante a música Body to Body, quando a plateia cantou em coreano a canção folclórica Arirang, considerada um hino não-oficial da Coreia do Sul. Enquanto os integrantes deixaram os microfones de lado para observar o coro, os telões mostraram fãs vestindo hanbok, a roupa tradicional coreana. Essa valorização da cultura local também apareceu em figurinos, sons, performances de dançarinos e frases em coreano sem tradução exibidas nos telões antes do início do evento.

Novo ritmo e maturidade

O grupo, que entrou em pausa em 2022 para que Jin, Suga, RM, J-hope, Jimin, V e Jungkook cumprissem o serviço militar obrigatório, retornou oficialmente em março. O novo álbum, também chamado Arirang, mescla o estilo antigo, pedido pelos fãs, com o pop mainstream. Segundo Bang Si-hyuk, criador do BTS, em documentário da Netflix, a ideia de ver estrangeiros cantando amostras de músicas folclóricas seria icônica, ideia que foi abraçada pelas fãs, que a transformaram numa competição para ver qual plateia canta mais alto.

A performance começou às 20h com sintetizadores e batidas de hip hop na música Hooligan, com os cantores entrando no palco vindos do gramado. O show durou 2h20 e foi bem diferente da apresentação de 2019 no Nubank Parque. O grupo abandonou protocolos do gênero, como os vídeos com historinhas durante as trocas de roupa, a realização de mais de um bis e as longas conversas com o público.

As coreografias intensas, marca registrada do grupo, também ficaram em segundo plano. Eles não dançaram na maioria das canções, com exceção de Mic Drop, onde dançaram apenas o refrão. Não houve apresentações solo, mas os artistas preencheram o palco e interagiram sem roteiro nas passarelas, brincando entre si e falando quase inteiramente em português por meio de frases prontas e apoio de uma tradutora.

Polêmicas e estrutura do palco

A estrutura foi pensada para ser próxima dos fãs, com um palco 360º e quatro passarelas que saem da pista central, além de uma plataforma redonda que girava para que o grupo ficasse de frente para todos os lados. No entanto, a instalação na América do Sul divergiu do padrão global. Em vez de 12 telões de LED, foram instalados apenas quatro integrados a uma torre central. Isso fez com que quem estivesse em certas posições não conseguisse ver a imagem completa, gerando revolta entre as Armys. A produtora Live Nation justificou a mudança por limitações de cronograma e logística.

As fãs também reclamaram que a música Idol não foi cantada na pista, no meio do público, como ocorreu em outras cidades da turnê, mas a produção alegou que a decisão foi por questões de segurança. Apesar da chuva que caiu durante toda a tarde, o tempo firmou durante a apresentação.

Setlist e trajetória

O amadurecimento dos artistas, que agora estão na casa dos 30 anos, refletiu-se na escolha das músicas. Canções consideradas fofas foram deixadas de fora, priorizando sucessos com novos arranjos, como Run BTS, Fire, Not Today e Fake Love. Os hits globais Dynamite e Butter também estiveram presentes. Como cada parada da turnê tem duas músicas surpresa, nesta quarta-feira foram apresentadas Black Swan e Silver Spoon (Baepsae).

Desde o início em 2013, com influências de hip hop e críticas sociais produzidas por RM, Suga e J-hope, o BTS construiu uma trajetória rara para grupos de k-pop, superando a marca de dez anos. O grupo já havia visitado o Brasil em 2014, para 1.500 pessoas, e, três anos depois, esgotou dois dias no Vibra São Paulo, com capacidade para 7.000. Em 2019, com hits como DNA e Boy With Luv, conseguiram reunir cerca de 80 mil pessoas. A turnê atual, que começou em abril e vai até 2027, soma mais de 80 datas, enquanto os membros, durante o hiato militar, realizaram projetos solo que não incluíram a América do Sul.

Honestamente, quem precisa de coreografia quando se tem 85 mil pessoas gritando em coreano? O amadurecimento veio, mas a energia do fandom continua a mesma.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.