Roberto Menescal comemora 89 anos e prova que a Bossa Nova nunca sai de moda

Roberto Menescal completou 89 anos neste domingo, 25 de outubro, consolidando-se como um dos pilares da música popular brasileira. Compositor, instrumentista, cantor e produtor musical, ele foi um dos pioneiros da Bossa Nova no final da década de 1950. Ao longo de mais de seis décadas de estrada, Menescal criou um repertório que atravessa gerações e ajudou a definir a identidade musical do Brasil, tanto aqui quanto no exterior.
Para quem não está ligado, Menescal é um dos fundadores da Bossa Nova, aquele gênero que transformou o samba na Zona Sul do Rio de Janeiro com a famosa batida diferente, simplificando o ritmo das escolas de samba para algo mais intimista.
A construção de um som icônico
Menescal não chegou ao topo sozinho. Ele trabalhou lado a lado com nomes como Tom Jobim, Carlos Lyra, João Gilberto e Ronaldo Bôscoli para criar aquela sonoridade que a gente conhece: a mistura da sofisticação do jazz com a cadência do samba.
Nascido em Vitória, no Espírito Santo, em 25 de outubro de 1937, ele cresceu no Rio de Janeiro, cidade que foi o cenário principal da sua formação. A música já estava na família, mas ele começou a estudar piano em 1950 e depois aprendeu a tocar acordeão sozinho. No entanto, foi no violão que ele realmente encontrou sua voz artística. Para lapidar o talento, estudou teoria musical, harmonia e contraponto com professores como Moacir Santos, Guerra Peixe e Edinho, do Trio Irakitan.
Do início precoce aos hits eternos
A carreira profissional começou bem cedo, aos 18 anos, quando ele acompanhou a cantora Sylvinha Telles em uma turnê brasileira. Pouco depois, ele e o amigo Carlos Lyra abriram uma academia musical para dar aulas de violão, que acabou virando o ponto de encontro da galera que queria experimentar novas sonoridades na música brasileira.
Foi nesse clima de laboratório que surgiram músicas que todo mundo conhece, como O Barquinho, além de Você, Telefone e Nós e o Mar. Anos mais tarde, ele ainda emplacou a icônica Bye, Bye Brasil, composta em parceria com Chico Buarque, ampliando ainda mais sua presença no repertório nacional.
O mundo conhecendo o Brasil
A Bossa Nova de Menescal não ficou presa nas praias do Rio. Em novembro de 1962, ele participou do lendário concerto no Carnegie Hall, em Nova York, junto com Tom Jobim, Carlos Lyra e João Gilberto. Em 1968, levou o som brasileiro até Cannes, na França, onde se apresentou com Elis Regina durante o Midem.
Ele também viajou o mundo com o grupo Bossacucanova, tocando para públicos de até 200 mil pessoas nos Estados Unidos, Europa e Japão. A lista de países onde ele já pisou é imensa, incluindo Cingapura, Austrália, Rússia, Argentina, Espanha e Alemanha.
Menescal também sabe transitar entre estilos e nacionalidades. Ele lançou o DVD United Kingdom of Ipanema com Andy Summers, guitarrista do The Police, e gravou com nomes internacionais como Herbie Mann, Paul Winter e Toots Thielemans. Todo esse impacto foi reconhecido em 2013, quando a Academia Latina da Gravação entregou a ele o Prêmio à Excelência Musical.
Encontros e novos palcos
Com um currículo que soma mais de 400 composições, cerca de 30 discos e dez DVDs, Menescal já colaborou com praticamente todo mundo: de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia até Jorge Ben Jor, Gal Costa, Erasmo Carlos, Nara Leão e Chico Buarque. Também trabalhou com Maysa, Elis Regina, Wanda Sá, Marcos Valle, Joyce, João Donato, Dori Caymmi, Leila Pinheiro, Alaíde Costa e Eliane Elias.
E para fechar com chave de ouro a fase dos 89 anos, ele vai subir ao palco no dia 22 de novembro, no Ulysses Centro de Convenções, para o show Bossa Sempre Nova. O encontro promete misturar clássicos e versões contemporâneas ao lado de Danilo Caymmi, Patty Ascher e a participação especial de Luísa Sonza.
Esse show faz parte do Festival Estilo Brasil 2026, que acontece em Brasília entre 30 de outubro e 25 de novembro. O evento, que já recebeu nomes como Liniker, Paralamas do Sucesso e Martinho da Vila, traz este ano uma programação diversa que vai do rap ao soul, com confirmações de artistas como Iza, Marina Sena, Criolo, Samuel Rosa, Flávio Venturini, Amaro Freitas, Dino d’Santiago e o britânico Seal.
Imagina a mistura de gerações que é ver o mestre da Bossa Nova dividindo o palco com a Luísa Sonza? É a prova de que o som do Menescal continua atual.
