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100 Dias: a aventura épica de Amyr Klink chega aos cinemas amanhã

via Instagram @amyrklink

Preparem a pipoca e o protetor solar, porque amanhã, 29 de outubro, estreia nos cinemas 100 Dias. O longa acompanha a jornada surreal de Amyr Klink, que em 1984 decidiu que remar sozinho do litoral da Namíbia até a Bahia era uma ótima ideia. Ele enfrentou tubarões, correntes marítimas imprevisíveis e a solidão absoluta em um barco pequeno, feito sob medida, completando o desafio em exatos cem dias e se tornando a primeira pessoa a conseguir tal feito.

Amyr Khan Klink é um navegador e escritor brasileiro, famoso justamente por ter sido o primeiro a atravessar o Atlântico Sul a remo, a bordo do barco IAT.

Do livro para a tela

A história, que já estava no livro Cem Dias Entre Céu e Mar, ganhou vida nas mãos de Carlos Saldanha. O diretor, indicado a dois Oscars e conhecido sobretudo por animações como A Era do Gelo e Rio, já procurava experiências em live action e queria fazer o projeto, cujo livro o marcou na adolescência. Para deixar tudo com cara de superprodução, Saldanha usou efeitos visuais avançados e até construiu um barco navegável nas dimensões exatas do original.

Mas nem tudo foi calmaria na produção. O filme nasceu por incentivo de Marina Klink, esposa de Amyr, mas o caminho foi cheio de turbulências. O navegador contou que houve brigas entre roteiristas, o rompimento de algumas produtoras e o falecimento do diretor Breno Silveira, e ele chegou a desistir do filme. Felizmente, a iniciativa foi retomada, sob o comando de Saldanha.

O desafio de remar sozinho

Para dar vida ao navegador, o escolhido foi Filipe Bragança, que já tinha brilhado como Sidney Magal. Dessa vez, o ator trocou os rebolados por um preparo físico intenso, chegando a perder 10kg para o papel. O desafio era gigante: Bragança passa cerca de 80% da história sozinho no barco.

O ator contou que não tentou imitar a voz ou o jeito de Amyr, já que o navegador é alguém introvertido e discreto. A conexão aconteceu mais na sintonia com o diretor, já que ambos estavam em seus primeiros projetos desse nível de magnitude no live action.

Rigor nos detalhes e dramas familiares

Quem acha que filme de aventura ignora os detalhes não conhece essa produção. O tamanho do mapa e até o esparadrapo colado no remo foram mantidos para garantir a fidelidade. Amyr, por sua vez, foi super parceiro e deu liberdade total para a equipe, brincando que não queria ser aquele autor chato que reclama da cor da camisa do personagem.

O roteiro também mergulha na vida pessoal de Klink. O filme traz a relação com a mãe, interpretada por Philippine Leroy-Beaulieu, e os conflitos com o pai conservador, vivido por Felipe Camargo. A vontade de provar sua capacidade para Jamil Klink é um dos motores principais da trama.

Bastidores e a corrida pelo Oscar

Para criar a imensidão do oceano boa parte das cenas foi filmada em um grande tanque d'água, com uma grande equipe trabalhando no Brasil e na Finlândia nos dois anos desde o fim das filmagens. Bragança confessou que até sente saudade do barco, que era "tão aconchegante", mesmo tendo que girar várias vezes para gravar cenas de ondas gigantes.

O projeto é tão ousado que chegou a entrar na shortlist para representar o Brasil no Oscar 2027, embora a Academia tenha acabado escolhendo o drama cearense Feito Pipa. Para a equipe, o mérito está em quebrar o paradigma do cinema brasileiro, que costuma focar em histórias ordinárias, entregando agora algo extraordinário.

Amyr Klink só tem um pedido depois que o filme sair: que a Geração Alfa não decida se jogar no Atlântico depois de assistir. Quem teria coragem de encarar cem dias com tubarões e sem Wi-Fi?

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.