Maroon 5 no Rock in Rio: previsível, mas os hits salvam (de novo)

Maroon 5 no Rock in Rio já virou tipo aquela tia que aparece em todo casamento: você sabe que ela vai estar lá, sabe as histórias que ela vai contar e, no fundo, até gosta da presença. Neste sábado (12), a banda de Adam Levine fez sua 11ª passagem pelo Brasil e a terceira aparição no festival, solidificando de vez seu status de reserva imediata para qualquer vaga de headliner que apareça.
A origem do meme tem data certa: 2017, quando Lady Gaga cancelou de última hora e deixou um buraco considerável na programação. Quem salvou o dia? Eles, claro. Desde então virou piada recorrente: deu problema, chama o Maroon 5 que eles vêm tocar 'Payphone'. A fama de tapa-buraco colou — e a banda parece ter abraçado a ideia com um sorriso no rosto e a mala sempre feita.
Show é show, mas… cadê a novidade?
O show do Maroon 5 é, sim, divertido. Previsível que nem o final de novela das nove, também. Desde o setlist até as falas de Adam Levine, a sensação é de um roteiro bem ensaiado, bem oleado e praticamente idêntico ao da última vez. O vocalista soltou um genérico "Rock in Rio é o melhor show para o melhor público" e, cá entre nós, depois de onze passagens pelo país, a gente esperava pelo menos alguma referência que mostrasse que ele conhece o Brasil além do saguão do aeroporto. Alguma coisa. Qualquer coisa.
Mas vamos ser justos: quando a banda engata 'This Love', 'Animals' ou 'Maps', não tem quem fique parado. O Maroon 5 é um fenômeno radiofônico como poucos, com hits que grudam na cabeça e não saem mais. Ao vivo, eles dão uma repaginada nos arranjos, misturando influências de rock mais pesado com levadas de reggae pra garantir que nem tudo soe idêntico ao Spotify. Há espaço também para solos de guitarra, teclado e bateria — o suficiente pra deixar claro que existe uma banda de verdade ali no palco, não só um karaokê sofisticado.
Brilho solo e camisa fora
Um dos pontos altos da noite foi o momento que a gente pode chamar de "brilha, PJ Morton". Na metade do show, Levine apresentou o tecladista — que teve um dia anterior meio azarado com o line-up do festival — e simplesmente cedeu o palco pra ele. PJ Morton cantou 'Sunday Morning' com Levine e depois puxou 'Heavy', faixa solo sua que já tinha aparecido no The Town em 2023. É sempre satisfatório ver um músico de banda ganhar seu próprio momento de luz, ainda que breve, e Morton aproveitou cada segundo.
Outros respiros vieram quando Levine desceu ao público para dedicar 'She Will Be Loved' às fãs — movimento certeiro pra reconquistar quem estava começando a dispersar. E, claro, o ritual de praxe: a camisa saiu entre a metade e o fim do show, desta vez logo antes de 'What Lovers Do'. A essa altura da noite, já é quase um aviso oficial de que a temperatura vai subir.
No fim das contas, foi bom?
Não é exagero dizer que o show foi mais do mesmo — e o próprio repertório confirma. A banda não tocou nada do álbum 'Love Is Like' (2025), reforçando a ideia de que novidade simplesmente não estava nos planos. E quando Levine prometeu algo "que não costumam tocar", veio 'Won't Go Home Without You', do disco de 2007 — que, detalhe, já estava no setlist do The Town em 2023. A gente tem memória, Adam.
Mas quer saber? No balanço geral, pouco importou. O público estava lá em peso, a galera dançou, cantou e saiu satisfeita. O Maroon 5 tem mais carimbos brasileiros no passaporte do que muita gente tem viagens na vida, e sabe exatamente como entregar um show que o público curte, mesmo repetindo a fórmula com pouca variação. Se despediram com a galera gritando em 'Sugar', e o trabalho foi entregue — como sempre.
