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Coprodução brasileira arrasa em Veneza com dois prêmios da crítica

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Segura essa: o filme Retorno a Buenos Aires, coprodução entre Brasil e Itália, não só marcou presença no Festival de Veneza como fez bonito de verdade, levando dois prêmios da crítica. O longa foi coroado como melhor filme, e o ator Adriano Giannini levou o troféu de melhor ator. Dois prêmios, uma noite, muito orgulho.

Veneza: onde os clássicos nascem

Pra quem não sabe — ou sabe, mas merece ser lembrado —, o Festival de Veneza não é qualquer evento de tapete vermelho. É o festival de cinema mais antigo do mundo e faz parte do time seleto dos Três Grandes, junto com Cannes e Berlim: lugares onde a liberdade artística é celebrada, onde filmes que viram clássicos são revelados antes de todo mundo saber que iam virar clássicos. Ganhar um prêmio da crítica por lá é carimbar um selo de qualidade que o mercado inteiro respeita. Não é jabá de produtor animado — é júri especializado dizendo "isso aqui é bom".

E ter uma produtora brasileira nessa jogada, com um projeto que atravessou o Atlântico e chegou às telas italianas sem perder a alma? É pra gente se encher de orgulho, sim.

Uma história que pulsa e pesa

Dirigido por Marco Bechis, o filme mergulha numa trama densa e necessária. Giannini interpreta Mariano Guerra, um médico que deixou a Argentina há 33 anos, refez a vida na Itália e, décadas depois, decide voltar a Buenos Aires — não pra passear, não pra rever a cidade. Ele retorna para testemunhar no julgamento dos militares que o sequestraram, torturaram e mantiveram escravizado durante a ditadura argentina, que durou de 1976 a 1983.

É o tipo de enredo que não te dá descanso. Você acompanha um homem que construiu uma existência nova, em outro idioma, em outro continente, e que mesmo assim não conseguiu deixar o passado para trás — porque alguns passados não ficam quietos. A volta não é nostalgia. É confronto. É a pergunta impossível de ignorar: o que fazer com tudo aquilo que aconteceu?

O júri foi preciso na justificativa: o filme entrega "equilíbrio perfeito entre passado e presente, emoção e reflexão", com uma atuação que "transmite o tormento da dúvida, o drama do confronto e o horror e a dor de uma tragédia coletiva e ao mesmo tempo pessoal". É o tipo de frase de júri que, em vez de soar protocolar, parece ter sido escrita por quem saiu abalado da sala de exibição.

Essa descrição já dá vontade de correr pro cinema — e de ficar quieto por um tempo depois.

Uma ponte entre Porto Alegre e Turim

O projeto reuniu a produtora brasileira 34 Filmes com as italianas Fandango, 39Films, Karta Film e Rai Cinema — uma constelação de parceiros que mostra o quanto foi preciso acreditar no filme para tirá-lo do papel. As filmagens aconteceram em dois pontos bem distintos do mapa: Porto Alegre, no Sul do Brasil, e Turim, no Norte da Itália. São cidades que, à primeira vista, não têm muito a ver uma com a outra — mas que, dentro da narrativa do filme, se tornam os dois lados de uma mesma vida partida ao meio pela história.

Além de Giannini, o elenco traz a atriz brasileira Paula Cohen, reforçando o caráter genuinamente binacional da produção. Não é só o dinheiro que é compartilhado — é o talento, a história, a responsabilidade de contar algo que aconteceu de verdade e que ainda dói.

Catorze minutos de aplausos

Na exibição desta sexta-feira (11), o público no festival respondeu com 14 minutos de aplausos. Catorze minutos, gente. Quem já ficou de pé aplaudindo por mais de dois minutos sabe que isso cansa — e que ninguém aguenta catorze minutos por cortesia. Esse tipo de reação não é protocolar: é o público dizendo, com as palmas, que o que viu importou.

Quando a arte une países, histórias e memórias que o tempo não apagou, o resultado aparece. Que venham os próximos festivais.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.