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Kadu Moliterno abre o jogo sobre o sumiço da TV e a indústria do entretenimento

via Instagram @kadumoliterno_oficial

Longe das telinhas há cerca de sete anos, Kadu Moliterno resolveu soltar o verbo sobre um assunto que, segundo ele mesmo, ninguém toca: como é envelhecer sendo ator. O desabafo veio pelas redes sociais, direto e sem papas na língua, e tocou num nervo que a indústria do entretenimento prefere fingir que não existe.

Pra quem chegou agora: Carlos Eduardo Moliterno não é qualquer ator. É um nome que atravessou décadas e gerações na TV brasileira. Começou a aparecer nas telas em produções como "As Pupilas do Senhor Reitor" e "Tilim", mas foi nos anos 70 que o país realmente prestou atenção — "O Príncipe e o Mendigo" (1972) e "O Pulo do Gato" (1978) o transformaram em um dos atores mais populares de sua geração. Nos anos 80, a memória nacional gravou seu rosto em "Paraíso" (1982) e na série "Armação Ilimitada" (1985–88), que até hoje tem fã clube ativo. Ao longo das décadas seguintes, ele seguiu sendo presença recorrente nas telenovelas da TV Globo. São 55 anos de carreira no teatro, no cinema e na televisão — uma bagagem que muito veterano da indústria gostaria de ter.

E foi exatamente essa bagagem que Kadu colocou na mesa. "Eu tenho 55 anos de carreira como ator no teatro, no cinema, na televisão, mas agora eu vou dizer uma coisa para vocês que ninguém fala: como é envelhecer sendo ator. O problema não é envelhecer. O problema é quando acham que você deixou de ser interessante", declarou. Simples assim. Sem drama exagerado, sem vitimismo — só a realidade nua e crua do etarismo dentro de um meio que historicamente descarta quem não está mais na faixa etária considerada "vendável".

O que impressiona no desabafo é justamente o tom. Kadu não está reclamando da vida nem pedindo pena. Está chamando atenção para um padrão que a indústria raramente admite em voz alta: a ideia de que experiência, técnica e décadas de ofício valem menos do que simplesmente parecer jovem na tela. É um puxão de orelha elegante, mas firme.

"Ator não tem prazo de validade", diz Kadu

Mesmo com o desabafo, Kadu deixou claro que a palavra aposentadoria não existe no dicionário dele. "Eu continuo trabalhando, estudando, treinando e, principalmente, querendo muito contar histórias. Ator não tem prazo de validade e quem sabe meu melhor personagem ainda nem tenha chegado", afirmou. Essa postura diz muito sobre quem é o cara: alguém que acumulou mais de cinco décadas de profissão e ainda trata o ofício com a seriedade e o entusiasmo de quem está começando. Gratidão pela trajetória, sim — mas sem saudosismo paralisante. "Olhar para trás é agradecer por cada capítulo — e olhar para frente é saber que ainda há muita história para contar", escreveu na publicação.

A esposa dele, Cristianne Menezes, não ficou de fora. Nos comentários, ela resumiu bem o que muita gente estava pensando: "Tem gente que passa pela televisão. E tem gente que deixa memória. Você construiu uma história que atravessa gerações, e ainda tem muito capítulo bonito pela frente". Difícil discordar.

Avô? Kadu Moliterno diz não

Se alguém está esperando Kadu aceitar qualquer papel só para marcar presença de volta nas telas, vai esperar sentado. Em entrevista recente, ele deixou claro que não pretende voltar por voltar. "Não adianta eu fazer um personagem que não tem nada a ver comigo", afirmou. Ele quer retornar às novelas — isso está dito —, mas nas condições certas, com papéis que façam sentido para quem ele é hoje.

E tem um tipo de papel que definitivamente não está na lista de desejos: o de avô. "Ser pai, tudo bem, mas avô… para que ser avô?", questionou. Pode parecer um detalhe pequeno, mas diz muito sobre a forma como a indústria frequentemente encaixota atores maduros em funções decorativas — o vovô gentil, a figura de fundo, o personagem que existe pra dar contexto aos mais jovens. Kadu, claramente, não está nem um pouco interessado em ser enfeite de cena.

No fim das contas, o desabafo todo funciona como um lembrete de que talento e experiência não têm data de vencimento. A pergunta que fica — para as emissoras, para as produtoras, para a indústria em geral — é se alguém vai ter coragem de escalar esse senhor de 74 anos num papel à altura do que ele ainda tem a entregar. A gente torce que sim. E que não seja um vovô da pracinha, né? 😉

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.