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NEXZ chega voando no Rock in Rio e mostra que o k-pop veio pra ficar

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Se alguém ainda duvidava que o k-pop tomou conta do planeta, o Rock in Rio chegou pra esfregar a verdade na cara de todo mundo. Pela primeira vez em 41 anos de festival, o Palco Mundo ganhou um dia inteiro dedicado ao gênero, reunindo NEXZ, a diva Hwasa e o Stray Kids. A abertura ficou por conta do NEXZ — e a missão não era das mais fáceis.

O público que lotou o espaço nesta sexta-feira (11) estava ali, em sua maioria, de olho nos headliners. As camisetas não mentem: logo na primeira olhada, Stray Kids pra todo lado. Mas o septeto, formado por seis japoneses e um coreano, foi pontualmente ao palco às 16h40 com a energia de quem não leu o memorando de que era apenas a abertura.

Eles chegaram dando mortais e saltando um por cima do outro como se fosse a coisa mais natural do mundo. Vestiam camisetinhas de bandas de rock — Ramones, Black Sabbath —, calças jeans bem largas e botinas caramelo todas iguais. Um mix de atitude rock com a precisão cirúrgica da street dance que ninguém estava esperando àquela hora da tarde.

E o melhor: mandaram um português que deixou a galera de queixo caído logo de cara. "Rock in Rio, e aí, estão prontos para curtir?", perguntaram — já de pé na passarela, pertinho do público. Ao longo do show, seguiram soltando frases na nossa língua com uma naturalidade que só se consegue com muito ensaio: "vamos para a próxima música", "façam muito barulho". Apresentaram-se um a um também em português. Em poucos momentos preferiram falar na própria língua, e aí uma tradutora devolvia as falas à plateia. O esforço de conexão era real, e o público sentiu.

De reality show ao Palco Mundo

O NEXZ tem apenas dois anos de estrada — o que torna tudo isso ainda mais impressionante. O grupo surgiu do reality show "Nizi Project Season 2" com a ideia inicial de faturar nos mercados japonês e sul-coreano. É gerido pela JYP Entertainment em parceria com a Sony Music Entertainment Japan, as mesmas empresas que cuidam da carreira do Stray Kids. Isso explica tanto a semelhança na proposta artística quanto o fato de a "torcida organizada" da atração principal ter recebido os novatos com gritos e batidas de leques coloridos — uma acolhida que, vamos combinar, não estava garantida em hipótese nenhuma.

A situação era favorável, mas o NEXZ ainda precisava se sustentar diante de uma plateia que estava ali por outro motivo. E sustentou.

Molho, mortais e mais molho

No palco, o grupo entregou boa parte de sua discografia enxuta. Fizeram "Beat-Boxer", "I'm Him", "Want More? One more!" e "SAUCIN'", a nova música de trabalho, repetida pelo menos três vezes até o refrão grudar em todo mundo que estava na área. Sem banda ao vivo, a apresentação se apoiou em bases instrumentais e backing tracks, deixando o foco total nas coreografias milimetricamente sincronizadas dos sete integrantes — com destaque para "Mmchk", o maior hit deles.

A vinda ao festival coincidiu com um momento importante da carreira: semanas antes, o grupo havia lançado o quarto EP, "SAUCIN'", e anunciado sua primeira turnê asiática, batizada de "SAUCIN' THE WORLD". O nome combina a palavra inglesa "sauce" com o sufixo de gerúndio, algo como "colocando o molho em tudo". No Rock in Rio, eles definitivamente colocaram.

Antes de se despedirem, desceram pro fosso, ficaram pertinho dos fãs e ainda mandaram brindes em português — "nossa", "é isso aí!", "tá quente" — com a cara de quem estava extasiado de verdade. Era a última faixa, mas a energia era de quem teria tocado mais duas horas se deixassem.

Foi bonito ver o Palco Mundo fervendo com k-pop numa sexta histórica. O NEXZ fez a parte dele com louvor: acrobacias, carisma, coreografia afiada e um esforço genuíno de conexão com o público brasileiro. Quem diria que Ramones, mortais e refrões chicletes caberiam tão bem na mesma tarde?

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.