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Afinal, quantas Fontes Novas cheias serão necessárias para olharem pra Salvador?

Pensa na cena: dias antes do show do Maroon 5 em Salvador, a pergunta rolava quase naturalmente. Será que tinha flopado? Não era viagem. Tinha ingresso dando sopa, promoções nos canais oficiais e a internet cheia de gente tentando repassar entrada. A impressão era de que ia dar ruim.

Mas a realidade chutou a porta e mandou o boato pra escanteio. Quando Adam Levine e a turma subiram no palco da Arena Fonte Nova na quinta-feira, dia 10, pista e arquibancadas revelavam outro cenário: o estádio estava cheio e, mais importante, disposto a cantar praticamente tudo. Uma bela lição de que disponibilidade de ingresso, promoção e revendas na internet não contam, sozinhas, a história de um espetáculo.

Salvador, a capital do «eu quero mais» internacional

Pra quem esteve ali, na mesma Fonte Nova, há poucos meses vendo o Guns N' Roses e suas 40 mil almas, era impossível não ter um déjà-vu. Depois daquele showzão, a gente já tinha falado que a multidão era um recado claro de uma Salvador sedenta por uma agenda musical mais diversa. Cinco meses depois, o Maroon 5 acrescentou uma nova peça àquela tese. O som internacional chegou. E Salvador respondeu de novo.

Mas o mais curioso foi a surpresa na plateia. Não eram só os quarentões e trintões que cresceram vendo Adam Levine brilhar na MTV e nas paradas dos anos 2000. A Fonte Nova estava recheada de molecada de 15, 16, 20, 23 anos — gente que nem sonhava em nascer quando Songs About Jane transformou o Maroon 5 num fenômeno global. Uns conheceram a banda pelos pais; outros, pelo TikTok. Uma jovem até contou que descobriu a Avril Lavigne por lá também. O tempo voa, mas os clássicos ficam, mesmo que remixados em vídeos de quinze segundos.

Uma viagem musical entre gerações

Essa mistura ficou cristalina quando os primeiros acordes de Memories começaram. Duas adolescentes próximas gritaram em coro que aquela era a música da infância delas. A gente ri, mas a frase resume bem a noite. O Maroon 5 atravessou gerações, e o repertório foi montado exatamente pra explorar esse poder. This Love, She Will Be Loved, Maps, Girls Like You, Moves Like Jagger, Payphone e Sugar transformaram a Arena Fonte Nova num karaokê gigante. Era difícil encontrar uma música que não fosse acompanhada por milhares de vozes.

A chuva resolveu virar coadjuvante de luxo. Em She Will Be Loved, ela caiu quase cinematograficamente no exato momento do refrão, iluminada pelo palco, enquanto a galera cantava sem se importar com absolutamente nada. Ninguém estava nem aí pra procurar abrigo.

E nem a chuva esfriou Adam Levine. Aos 47 anos, o vocalista mostrou por que continua sendo um dos showmen mais reconhecidos do pop. Não parou um minuto, explorou cada canto do palco e da passarela e buscou constantemente diferentes setores, inclusive quem estava em posições menos privilegiadas. As declarações foram enérgicas, ainda que pouco específicas sobre Salvador. PJ Morton foi mais direto e arriscou um simpático boa noite pra cidade.

O final épico (e o perrengue da saída)

Levine entregou vocais de respeito, fez o uivo tradicional de Animals, correu pelo palco e, sob chuva e depois de gritos desesperados de fãs, tirou a camisa pra delírio geral. Em Won't Go Home Without You, o público cantou tanto que ele prometeu voltar a Salvador pra cantar de novo. A gente acredita? Metade sim, metade não — mas tudo bem.

Foi nesse momento que a pergunta do flop perdeu totalmente o sentido. Não ter estampado um sold out dias antes não impediu o Maroon 5 de encontrar uma Fonte Nova cheia, animada e barulhenta. Depois do Guns, Salvador mandou o recado de novo: tem público pra grandes shows internacionais. Mas, calma lá — isso não significa que qualquer artista gringo vai lotar um estádio automaticamente. Público escolhe, preço pesa, momento de carreira pesa, e a sensação de que a apresentação é imperdível também. A ideia de que Salvador não tem público pra grandes turnês está, porém, ficando cada vez mais difícil de sustentar. E a maior surpresa talvez seja quem compõe esse público: a geração hiperconectada, que a gente imaginava grudada só na tela, estava lá em peso, cantando músicas que aprendeu no TikTok debaixo de chuva. É pra se pensar.

Nem tudo foi perfeito. Em setores mais distantes do palco, o som chegou a incomodar e prejudicou a experiência de parte do público — uma alfinetada necessária justamente numa noite em que a conclusão parecia ser que, enfim, o som chegou a Salvador. E a chuva, que dentro da Arena virou efeito especial lindo, na saída virou problemão. Uma poça gigante em frente à Fonte Nova causou tumulto na dispersão da galera. De efeito cinematográfico a dor de cabeça em minutos. Vai entender.

Mas, no fim das contas, quem mandou bem mesmo foi Salvador. E aí — qual vai ser o próximo super show que a gente vai desmascarar o flop?

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.