Zé de Abreu entra na treta de feminicídio e dá aula de estatística para Cazarré

A internet ferveu neste fim de semana com mais um capítulo da eterna novela celebridades-e-polêmicas, e quem assumiu o protagonismo foi José de Abreu. O ator, que não tem papas na língua e raramente deixa passar uma oportunidade de falar o que pensa, resolveu entrar de cabeça numa discussão que já vinha esquentando os bastidores: a briga pública entre Juliano Cazarré e Edu Moscovis em torno de estatísticas sobre feminicídio.
Para entender por que Abreu entrou na conversa, é preciso voltar ao início. A polêmica começou quando Cazarré participou de um debate na GloboNews e afirmou que morrem mais homens do que mulheres vítimas de feminicídio. A declaração gerou burburinho danado — afinal, misturar mortes com causas e contextos completamente diferentes é, no mínimo, problemático. Moscovis não ficou quieto: questionou a fala de Cazarré durante o programa Amado Mundo, jogando mais lenha numa fogueira que já estava bem acesa. A resposta de Cazarré veio em seguida, com um longo pronunciamento publicado nas redes sociais para rebater as críticas que chegavam de todos os lados.
Foi aí que Abreu decidiu que era a hora de falar. Em vídeo publicado nas redes sociais no sábado (12), ele foi direto ao ponto: não dá para misturar alhos com bugalhos. O ator explicou que o total de homens mortos citado por Cazarré reúne situações completamente distintas entre si — mortes em ações policiais, latrocínios e acidentes, por exemplo —, ocorrências que simplesmente não podem ser equiparadas aos feminicídios, crime com motivação de gênero específica. Apresentar esses números como se fossem comparáveis, na avaliação de Abreu, é um equívoco que distorce a discussão sobre a violência contra a mulher no Brasil, que é séria e exige seriedade.
Abreu fez questão, porém, de deixar claro que não está chamando Cazarré de ignorante. Na visão dele, o colega pode ter se enganado ao usar os dados — ou, na pior das hipóteses, omitido informações relevantes que mudariam completamente a leitura dos números. De qualquer forma, o caminho correto seria simples: reconhecer que as estatísticas apresentadas na entrevista estavam erradas. Uma aulinha de epistemologia básica, entregue de graça num vídeo de redes sociais.
Além do conteúdo do argumento, Abreu também criticou a forma como Cazarré reagiu às perguntas de Moscovis. Para ele, a resposta dada pelo colega não foi a mais adequada, e um pedido de reconsideração honesto teria mais valor do que um longo pronunciamento defensivo. É o tipo de avaliação que machuca justamente porque faz sentido.
O que torna tudo isso ainda mais curioso é o fato de os dois atores terem trabalhado juntos há pouco tempo. Abreu e Cazarré dividiam elenco na novela Volta por Cima, e o veterano fez questão de deixar registrado que a manifestação pública não altera em nada a relação cordial que mantém com o colega fora das câmeras. Pode ter treta no feed, mas a educação prevalece nos corredores — e Abreu garantiu que trata Cazarré da mesma forma educada de sempre quando os dois se encontram pessoalmente. O Brasil do audiovisual é pequeno, os sets são menores ainda, e aparentemente dá para discordar com veemência em público sem transformar tudo num barraco de reality show.
No fim das contas, o que Abreu reforçou ao longo de todo o vídeo é que os dados citados por Cazarré não deveriam ser usados para comparar fenômenos de violência distintos. A mensagem é simples, mas importa: o debate sobre feminicídio merece precisão, e usar números descontextualizados para aparentemente minimizar o problema não ajuda ninguém — muito menos as mulheres que o tema afeta diretamente.
