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Alok no Rock in Rio: feat com Twice, funk carioca e 1500 drones pra calar os haters

No Rock in Rio 2026, Alok tinha uma missão daquelas: se apresentar entre dois pesos-pesados do K-pop, a cantora Hwasa e o grupo Stray Kids, no primeiro dia do festival totalmente dedicado ao pop coreano. Para quem duvidava que um DJ de eletrônica faria sentido encaixado nessa programação, a resposta chegou cedo e em alto volume.

O trunfo número um foi o lançamento de um feat com o grupo Twice, outra potência do K-pop. O movimento foi cirúrgico: se o público da noite veio pelo pop coreano, Alok veio preparado para falar a língua deles antes mesmo de abrir a boca. O trunfo número dois foi na direção oposta — um medley de funk carioca com 'Rap da Felicidade' e 'Nova Geração', dois clássicos que não precisam de legenda para ninguém. Alok resumiu o clima com uma frase direto ao ponto: 'A resposta está aqui. Não se importem com o julgamento das pessoas mais chatas do mundo. Sejam vocês mesmas.' A galera abraçou com tudo.

Essa capacidade de transitar entre mundos não é acidente. Alok define o próprio som como 'free spirit' — sem rótulos, sem se limitar a sub-estilos como dance pop ou EDM. A explicação para essa liberdade tem raiz familiar: seus pais são os criadores do Universo Paralello, festival de psytrance surgido nos anos 2000 que moldou a formação do DJ muito antes de qualquer hit viralizar. É a diferença entre quem aprende música eletrônica pelo Spotify e quem cresceu dentro de um festival. A bagagem aparece no palco, e apareceu em dose dupla nesta sexta.

E por falar no outro lado do sanduíche: Stray Kids é um grupo masculino sul-coreano formado pela JYP Entertainment, com oito integrantes — Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N. O detalhe que os fãs adoram contar é que eles produzem as próprias músicas, com o trio de produção 3Racha, formado por Bang Chan, Changbin e Han, na linha de frente. Era esse o público que ocupava a Cidade do Rock naquela noite — e que Alok precisava conquistar antes de o Stray Kids subir ao palco.

Para isso, ele trouxe o show 'Keep Art Human', que havia estreado no Coachella no ano anterior e foi pensado desde o início para palcos de grande porte. Quarenta e cinco bailarinos do grupo italiano Urban Theory ocuparam o espaço com painéis de LED e coreografias integradas à narrativa de manter a arte humana — e aproveitar cada segundo da vida. Os chamados 'robôs humanos' se posicionavam em uma escada na frente do DJ e pareciam se multiplicar conforme a música subia. As coreografias eram tão elaboradas que parte dos fãs de K-pop, craques no assunto, tentou imitá-las no meio da plateia — o que diz tudo sobre o nível do espetáculo.

O impacto visual do grupo de dança superou até o arsenal habitual de Alok — luzes, lasers e afins — porque integrava o movimento humano aos beats em tempo real. Hits como 'Don't say goodbye' e 'Fuego' ganharam labaredas de fogo literais, caso alguém precisasse de um lembrete de que show ao vivo ainda tem coisas que tela nenhuma substitui.

O cantor Zeeba apareceu para dividir o hit do assobio 'Hear me now', e Alok apresentou o número com os dois filhos no colo — momento que não precisava de laser nenhum para funcionar. Zeeba ainda tocou versões de piano e voz de 'Ocean' e 'Never let me go', baixando o volume sem perder a plateia.

A cereja foi o espetáculo de 1500 drones que formaram figuras no céu: uma cabeça gigante de androide, uma nave. Boa parte do público de 100 mil pessoas trocou o palco pelo celular apontado para cima — o que, convenhamos, é o maior elogio possível para um show de luzes.

Alguns fãs reclamaram de querer mais closes de Alok no telão, e houve momentos em que até o intérprete de Libras assumiu a função de maestro da galera quando todo mundo esperava que o DJ tocasse esse papel. Pequenos deslizes de produção numa noite que, no balanço geral, mostrou que a mistura de eletrônica, funk e K-pop funciona muito bem quando quem está no comando sabe exatamente o que está fazendo.

No dia seguinte, Alok voltou ao festival no palco New Dance Order com o projeto 'Rave the World', uma declaração de amor à cultura das raves que moldaram sua formação. Duas noites, dois projetos completamente diferentes, e a mesma resposta para quem duvidava: a arte humana saiu vencedora.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.