Malu Mader solta o verbo: artista não é inimigo, e ela tem recibo

Malu Mader apareceu nas redes sociais nesta quinta-feira (17) e não veio anunciar novo projeto nem fazer jabá. A atriz veio mesmo é pra declarar voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e dar uma detonada na política cultural do governo anterior — tudo isso em vídeo, sem papas na língua, faltando menos de três semanas para o primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro.
Pra quem não sabe com quem está lidando: Maria de Lourdes da Silveira Mäder, nossa Malu, começou a trabalhar como atriz aos 15 anos e nunca mais parou. Ela protagonizou diversas telenovelas e se tornou uma das atrizes mais populares do país, acumulando ao longo da carreira prêmios de Melhor Atriz, o de Melhor Atriz Coadjuvante pelo Brazilian Film Festival of Miami, indicações ao Grande Otelo, ao Prêmio Guarani e ao Troféu Imprensa. Quando ela abre a boca pra falar de trabalho artístico, está falando de décadas de estrada — e isso pesa.
Cinema parado, projetos na gaveta — e o que isso significa de verdade
No vídeo, Malu foi direta sobre o que viveu: "Eu comecei a trabalhar como atriz aos 15 anos e vi o que aconteceu quando decidiram que os artistas eram inimigos. Cinema parado, projetos na gaveta. Como se contar a nossa história fosse um luxo. Agora, o cinema brasileiro renasceu." A crítica ao governo Bolsonaro (PL) não veio pelo nome, mas o endereço era óbvio pra qualquer um que prestou atenção nos últimos anos. A atriz associou aquele período à paralisação de filmes e a projetos que ficaram sem sair do papel, e disse que contar histórias brasileiras passou a ser tratado como algo secundário — não como trabalho, não como economia, não como identidade nacional.
E esse é justamente o argumento central da declaração de Malu: cultura não é enfeite. É atividade econômica, geração de empregos e expressão de quem somos como país. Quando um governo decide que artistas são inimigos, o estrago não é só simbólico — ele aparece nas carteiras de trabalho, nos sets vazios, nos profissionais do audiovisual sem contrato.
Oscar, indicações e o retorno ao mapa
Malu não veio só pra lamentar o passado. A atriz celebrou o que enxerga como um renascimento concreto: ela citou a vitória de Ainda Estou Aqui (2024) no Oscar e a indicação de O Agente Secreto (2025) à premiação como provas de que uma decisão política de tratar cultura como trabalho e economia produz resultados reais. "Nós voltamos a filmar, a gerar empregos e a ver o mundo inteiro aplaudindo de pé o nosso cinema, a cultura brasileira", declarou. Pra ela, não é coincidência — é consequência de um governo que escolheu apoiar o setor em vez de combatê-lo.
A galera da arte está se jogando
Malu não está sozinha nessa. No domingo (13), ela participou de um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, ao lado das atrizes Claudia Abreu e Betty Gofman e do músico Tony Bellotto — todos na mesma página, todos declarando apoio à candidatura de Lula. A movimentação dos artistas ao redor da campanha já virou parte da estratégia eleitoral: Lula prevê um encontro com nomes da música e da cultura brasileira na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, na próxima quarta-feira (23), com a presença esperada de Caetano Veloso, Maria Betânia e Chico Buarque.
No fim das contas, o vídeo da Malu é mais do que um L declarado nas redes. É um argumento construído por alguém que começou a trabalhar aos 15 anos, viu o setor prosperar, viu travar, e agora diz que sabe a diferença entre os dois estados — e que essa diferença tem nome, tem política e tem voto.
