Gil sobre Elton John: 'É bonito ter um velhinho como eu ainda em atividade'

Tá aí um encontro que a internet não esquece tão cedo. Gilberto Gil — mais de seis décadas de carreira, Grammys no currículo, título de 'Artista pela Paz' pela UNESCO e a Ordem Nacional do Mérito concedida pelo governo francês no bolso — se apresentou no Palco Mundo horas antes de Elton John e, em vez de ir embora como qualquer pessoa sensata faria depois de um show desses, ficou por perto para ver o britânico trabalhar. A decisão rendeu dobrado: o encontro nos bastidores virou assunto, e a reflexão que Gil deixou no Instagram se transformou na frase do festival.
O cantor não poupou palavras ao analisar o que viu. No post, Gil descreveu Elton como um artista de 79 anos que, mesmo depois de uma trajetória construída ao longo de décadas com projeção mundial inegável, ainda chega num palco imenso com fôlego, vontade e disposição para reunir as condições técnicas mais contemporâneas disponíveis — tudo isso diante de mais de 100 mil pessoas. Não é qualquer coisa. E então, quase de passagem, ele emendou a frase que resumiu a noite inteira: "É bonito ter um velhinho como eu ainda em atividade plena". Humilde e absolutamente certeira ao mesmo tempo. Gil se colocou no mesmo time que Elton, e ninguém no planeta vai discordar disso.
Para entender o peso do comentário, vale lembrar quem está falando. Gilberto Passos Gil Moreira é cantor, compositor, músico, político e escritor — um dos nomes mais relevantes da música brasileira em qualquer conversa séria sobre o assunto. É o tipo de artista que não precisa validar ninguém porque já foi validado por tudo e por todos. Quando ele elogia, o elogio pesa.
E quem recebia o elogio não é exatamente um iniciante. Sir Elton Hercules John é pianista, cantor, compositor, produtor e filantropo britânico com um currículo que desafia qualquer tentativa de resumo decente. Estreou em 1969, estourou em 1970 com o segundo álbum e o single "Your Song", e desde então vendeu mais de 300 milhões de discos — um número que já nem parece real. Para colocar em perspectiva: "Candle in the Wind", reescrita em 1997 em homenagem à princesa Diana, vendeu mais de 33 milhões de cópias sozinha e entrou para o Guinness World Records como o single mais vendido da história. O troféu não é metáfora, é literal.
O currículo de prêmios também não ajuda a ser discreto: cinco Grammys, cinco Brit Awards, dois Oscars, dois Globos de Ouro, um Tony, um Disney Legends e o Kennedy Center Honors. Em 2024, Elton atingiu o status de EGOT — sigla para quem ganhou Emmy, Grammy, Oscar e Tony, o quarteto mais difícil do entretenimento — com um Emmy pelo documentário "Elton John Live: Farewell From Dodger". É o tipo de artista que poderia ter se aposentado há décadas e ninguém reclamaria. Em vez disso, subiu no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 e entregou uma noite que entrou para a história do festival.
O que a gente tira de tudo isso? Que talento de verdade não tem data de validade. Que dois artistas com essa trajetória dividindo os bastidores de um mesmo festival, numa mesma noite, é o tipo de coisa rara demais para passar despercebida — e Gil, com a elegância de sempre, encontrou a frase certa para marcar o momento. Os 'velhinhos' estavam, na prática, sendo os mais jovens do pedaço.
