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Jota Quest celebra Tim Maia no Rock in Rio: pura reverência e muito soul

Quem disse que o Rock in Rio é só rock? No último domingo (6), o Jota Quest transformou o Palco Sunset numa festa de soul e funk que não deixou ninguém parado. Foi a quinta vez da banda no festival, mas a primeira no Sunset — e eles chegaram com um repertório diferente de tudo que já tinham feito por lá: o show baseado no álbum Jota Quest & Tim Maia – Dance Enquanto é Tempo, lançado em agosto.

Quem é quem nessa balada soul?

Pra quem ainda não pegou a vibe: o Jota Quest é uma banda mineira formada em 1993. Rogério Flausino na voz e no violão, Marco Túlio Lara na guitarra, Márcio Buzelin nos teclados, PJ no baixo e Paulinho Fonseca na bateria — um quinteto que nasceu na cena de Belo Horizonte com o nome J. Quest, inspirado no desenho animado Jonny Quest. O problema é que a Hanna-Barbera, produtora do desenho, não curtiu tanto assim a homenagem, e um processo fez o nome virar Jota Quest, com pronúncia bem brasileira, no final da década de 1990. Por sinal, foi o próprio Tim Maia quem ajudou a rebatizar o grupo — detalhe que dá ainda mais sentido à homenagem desta noite.

E Tim Maia não é pouca coisa. Sebastião Rodrigues Maia foi um dos pioneiros na introdução do soul e do funk na música popular brasileira, um ícone que, na juventude no Rio de Janeiro, conviveu com Jorge Ben Jor e Erasmo Carlos. Em 1957, fundou o grupo The Sputniks e cantou ao lado de Roberto Carlos. Emigrou para os Estados Unidos em 1959, onde teve seus primeiros contatos com o soul. Em 1970, gravou seu primeiro álbum homônimo, que rapidamente virou sucesso. O legado é gigante — e aquela noite no Sunset foi prova dançante disso.

Um Palco Sunset com quentura de soul

As participações especiais deixaram o show ainda mais redondinho. Tony Tornado, aos 96 anos — tornando-se o artista mais velho a se apresentar no Rock in Rio —, subiu ao palco para cantar Sossego ao lado do filho Lincoln. Tony é um dos principais nomes da black music no Brasil, precursor do estilo afro no país, com mais de cinco décadas de carreira entre música e atuação. Ver ele em cena, naquela energia, foi um daqueles momentos que o festival vai lembrar por um bom tempo. Negra Li chegou para Descobridor dos Sete Mares e a galera foi abaixo.

O suporte no palco também estava à altura da proposta. Além do quinteto principal, um quinteto de backing vocals e um trio de instrumentos de sopro deram aquela quentura necessária ao repertório soul do homenageado. E a voz de Tim apareceu de forma póstuma em Gostava Tanto de Você — emoção garantida. A mesma fórmula já havia funcionado em Acenda o Farol, gravada por Tim em 1978, num feat póstumo que foi a maior novidade quando o tributo foi apresentado pela primeira vez.

Uma homenagem com alma e história

Essa ideia de celebrar Tim Maia não nasceu ontem. No ano passado, o Jota Quest havia anunciado o tributo no The Town, o primo paulistano do Rock in Rio, marcando o início das celebrações dos 30 anos do primeiro álbum da banda, de 1996. Não foi uma escolha forçada — existe uma ligação real entre os dois mundos. Tim ajudou a dar nome ao grupo, e o Jota Quest sempre navegou por um pop rock com influências que dialogam com o soul que o homenageado ajudou a plantar no Brasil.

Rogério Flausino comentou que eles escolheram o caminho difícil: eram brancos tocando um repertório associado a artistas negros. Uma declaração honesta, que mostra consciência do que estava em jogo. Da fase inicial da banda, rolaram Encontrar Alguém e As dores do mundo, cover de Hyldon e primeiro single deles — para lembrar de onde vieram antes de mostrar para onde foram.

As versões de músicas como Réu confesso vieram com grooves caprichados e ficaram longe de qualquer reinvenção forçada. O negócio aqui era reverência respeitosa — e funcionou. O Jota Quest entregou uma aula de como prestar homenagem com energia e sinceridade, sem perder a identidade nem o respeito pelo legado de um gigante. O soul do Tim Maia é atemporal, e aquele Palco Sunset na noite de domingo foi a prova mais dançante disso.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.