Rico Melquíades na mira da justiça por assédio eleitoral: treta de R$ 5 milhões

Segura essa: Rico Melquíades está no meio de um rolo jurídico que pode custar caro — muito caro. O Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT-AL) entrou com uma ação pedindo R$ 5 milhões por danos morais coletivos contra o influenciador. O motivo? Suposto assédio eleitoral contra funcionárias domésticas. A treta é séria, a Justiça já mandou ele parar e a multa por descumprir a ordem chega a R$ 300 mil por infração. Eita.
O bafafá: acusações de assédio e dados expostos
Tudo começou com um vídeo publicado no sábado (12) em que Rico aparece questionando as funcionárias sobre quem paga os salários delas e afirmando que quem fosse petista seria demitida. Uma delas, identificada como Manuela, respondia com uns "aham" nada entusiasmados. Outra funcionária — que não teve o nome revelado no vídeo — disse ser petista, mas afirmou que, por causa do trabalho, havia desistido de apoiar candidatos da legenda. Um climão daqueles, e gravado para a internet ver.
Segundo o MPT-AL, o problema vai além de um vídeo desconfortável. O órgão afirma que Rico teria pressionado funcionárias repetidamente por divergências políticas, expondo dados pessoais delas nas redes sociais e ferindo a dignidade das trabalhadoras. A acusação mais grave é a de que ele teria usado ferramentas digitais para monitorar e classificar as funcionárias de acordo com as opiniões políticas delas — e foi justamente esse ponto que levou ao enquadramento do caso como assédio eleitoral. O MPT descreveu a conduta como "gravíssima", apontando constrangimento, exposição indevida da intimidade dos trabalhadores e discriminação por convicção política.
A 11ª Vara do Trabalho de Maceió concedeu tutela provisória de urgência no sábado (19), determinando que Rico pare imediatamente com essas práticas. Além do pedido de R$ 5 milhões — valor que, segundo o MPT, deverá ser destinado a fundos públicos ou projetos sociais —, o órgão elencou 18 obrigações que o influenciador deverá cumprir. Se pisar na bola de novo, a multa é de R$ 300 mil por infração, por trabalhador prejudicado e a cada constatação. Pesado, né?
Rico pediu desculpas… será que cola?
Depois que a bomba estourou, Rico foi para as redes sociais pedir desculpas e se retratar. Em vídeo, disse ter consciência da sua responsabilidade como influenciador e afirmou que nenhum funcionário deve sofrer coação ou imposição por parte do empregador. Até aí, tudo bem — palavras certas no momento certo.
Ele também se defendeu, dizendo que as mulheres que aparecem no vídeo citado pelo MPT são familiares seus — tia, irmã, mãe e prima — e que todas as publicações com elas foram feitas com consentimento. "Todas as meninas que aparecem no vídeo são da minha família. É minha tia, minha irmã, minha mãe e minha prima. E todo o vídeo que eu posto com elas tem o consentimento", declarou. A questão que fica no ar é: mesmo sendo família, a dinâmica de empregador e empregada e a pressão por posicionamento político simplesmente desaparecem? A Justiça, por enquanto, não parece ter comprado essa tese — a tutela de urgência foi concedida do mesmo jeito.
Assédio eleitoral: o que é e por que está em todo lugar
O assédio eleitoral acontece quando alguém usa sua posição de poder no ambiente de trabalho para tentar influenciar o voto de um funcionário. Não precisa ser uma ordem direta do tipo "vote em fulano". Muitas vezes, a pressão vem embrulhada em ameaças veladas: associar um certo resultado eleitoral a demissões, corte de salário ou o fechamento da empresa. Esse modelo, conhecido como "terror psicológico", é o mais comum entre os processos analisados pelo Tribunal Superior do Trabalho — aparece em 81,9% dos casos.
Nos últimos anos, a prática migrou com força para o ambiente digital. Grupos corporativos de aplicativos de mensagens usados para propaganda política, compartilhamento obrigatório de conteúdo eleitoral e monitoramento do posicionamento político de empregados são alguns dos formatos que aparecem nos processos. A escala do problema é grande: desde 2023, a Justiça do Trabalho registrou 738 processos por assédio eleitoral no país, segundo o Painel Nacional de Monitoramento do Assédio Eleitoral. E esse número é só a ponta do iceberg — o volume de denúncias que chegam ao MPT é muito maior do que o de casos que viram processo. Em 2022, foram 3.370 denúncias, recorde da série. Em 2026, até o momento, já são 472, com o período eleitoral ainda em andamento.
No fim das contas, o caso do Rico serve como um alerta real para quem tem voz, alcance e poder sobre outras pessoas. Influenciar é uma coisa; pressionar e coagir dentro de uma relação de trabalho é outra bem diferente — e a distância entre as duas pode custar R$ 5 milhões.
