Cine Tutu: chega em Sampa um cinema pra chocar geral com poltronas floridas e bar descolado

Em São Paulo, um nome já ecoa entre os amantes do bom cinema: Paulo Velasco. Ele não é novato na área; é o cara por trás do Cinesala, aquele cinema de rua charmosíssimo em Pinheiros que virou ponto de encontro pra galera que curte filmes fora do circuito padrão. Velasco tem uma sacada pra transformar a ida ao cinema em algo mais, sabe? Menos pipoca automática e mais experiência. E agora, ele está pronto pra surpreender de novo.
Poltronas florais e veludo verde? É isso mesmo, produção!
Esqueça o preto básico, a poltrona sem graça e aquela bombonière que te faz sentir num supermercado. O Cine Tutu, que chega na rua Girassol, na Vila Madalena, no dia 2 de outubro, veio pra virar essa mesa! Imagina só: cortinas de veludo verde e 114 poltronas com estampas florais. É um "deboche", como o próprio Velasco descreve — uma brincadeira antirrede feita em parceria com feras da cena cultural, como Alfredo Setubal (da editora Todavia), Marcos Nisti (da produtora Maria Farinha Filmes) e Mariana Lucas (professora e pesquisadora de cinema da Faap). Pra dar aquele toque de gênio, eles chamaram o arquiteto e designer Isay Weinfeld, que já estava por trás do projeto original do prédio comercial. O objetivo? Quebrar as expectativas e fazer do cinema um lugar pra ficar, não só pra assistir o filme e ir embora correndo. A ideia surgiu há seis anos, mas só há dois Velasco conseguiu alugar o endereço — uma sala de espetáculos que nunca cumpriu sua vocação pro teatro.
Não é só filme, é um rolê completo!
Eles pensaram em tudo. No Cine Tutu, a experiência começa muito antes da sessão. Tem uma área generosa pro Barouche, aquele café-bar já conhecido do Cinesala, mas aqui com cardápio ampliado: drinques, cafés especiais, vinhos, cervejas, sanduíches e saladas — um convite explícito pra ficar mais tempo e fazer aquela social. A escadaria em formato de arquibancada, toda estofada, reforça o recado. Quando você desce, dá de cara com um foyer em terracota cheio de cartazes garimpados de um antiquário em Paris e de arquivos pessoais — "Ainda Estou Aqui" e "Pixote: A Lei do Mais Fraco" dão as boas-vindas. Pra quem ama um registro, tem até cabine de fotos instantâneas ao lado da bilheteria com ladrilhos verdes que já antecipam o que vem por dentro. Na tecnologia, tela de 8,90 por 3,72 metros, projeção a laser 4K e som Dolby pensado pra épicos como "Ran", do mestre Akira Kurosawa, que já está na programação de abertura. E pode relaxar: se cair refrigerante ou manteiga nas poltroninhas floridas, manutenção e higienização serão constantes.
Curadoria de peso e um respiro na telona
A programação promete mesclar o melhor de Hollywood — como o aguardado "Digger" com Tom Cruise — com cinema independente, filmes brasileiros e queridinhos dos grandes festivais europeus, como "Naza", documentário sobre a guerra em Gaza premiado no Festival de Veneza. Velasco defende que o cinema de rua não tem dono e precisa ser abraçado por todos. Ele não vê streaming ou multiplex como inimigos, mas como algo complementar — tipo ir a um restaurante ou pedir delivery: tem espaço e momento pra tudo. Ao longo do dia, três a quatro filmes se alternam; um quarto da grade vai pra mostras e debates, incluindo um sobre arquitetura e a cidade de São Paulo previsto pro ano que vem. Antes mesmo da inauguração, no dia 1° de outubro, um debate com a jornalista Patrícia Campos Mello aquece os motores. E a partir do dia 15, o Cine Tutu já entra na programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
No fim das contas, num mundo em que a gente passa tanto tempo rolando catálogos que acaba não vendo nada, um cinema com curadoria é um luxo bem-vindo. Mesmo sabendo que está num dos bairros mais elitizados da cidade, Velasco já menciona a futura estação de metrô nas proximidades como parte da resposta ao desafio de democratizar o espaço. A gente só quer saber: quem mais tá contando os dias pra mergulhar nesse universo de veludo verde e florais?
