Resident Evil arrasa e quebra recorde de bilheteria nos EUA

Segura essa: o novo filme de Resident Evil, dirigido por Zach Cregger, não só chegou aos cinemas como chegou arrebentando. Na última segunda-feira, dia 21, o longa faturou mais de US$ 5,3 milhões só em território americano, com uma queda de público inferior a 62% em relação ao dia anterior. Pode parecer só um número, mas a gente te explica: isso representa a melhor retenção de público para uma segunda-feira comum de setembro neste século. É o tipo de resultado que faz executivo de estúdio soltar fogos no escritório.
E o desempenho não para por aí. A arrecadação global já ultrapassou US$ 113 milhões, e o filme ainda tem fôlego para brigar pela liderança das bilheterias no próximo fim de semana. Quando uma produção consegue segurar o público assim, semana após semana, fica claro que o boca a boca está fazendo seu trabalho — e que a galera está saindo da sessão com vontade de recomendar pra todo mundo que conhece.
Uma franquia que carrega peso
Resident Evil, ou Biohazard como é conhecida no Japão, é a franquia de terror mais bem-sucedida de todos os tempos, com mais de 200 milhões de cópias vendidas segundo relatório divulgado pela Capcom em maio de 2026. Criada pela Capcom, a série japonesa construiu sua reputação ao longo de décadas colocando o jogador no meio de ambientes inóspitos, infestados por zumbis, vírus, parasitas e criaturas grotescas criadas como armas biológicas. A franquia se expandiu muito além dos games: filmes live-action, animações, séries de televisão, quadrinhos, romances e uma pilha de produtos licenciados já fazem parte desse universo.
O problema é que, cá entre nós, nem todas as aventuras de Resident Evil fora dos videogames foram um primor. A série tinha um histórico irregular nas adaptações cinematográficas — ora agradava o público em geral, ora deixava os fãs dos jogos na beira do desespero. Era difícil agradar todo mundo. E é justamente por isso que o sucesso desse novo filme chama tanta atenção.
Bryan, Raccoon City e uma noite impossível
A trama acompanha Bryan, interpretado por Austin Abrams, um entregador de suprimentos hospitalares que precisa sobreviver a uma noite caótica em Raccoon City. Simples no conceito, brutal na execução — pelo menos é o que crítica e público estão dizendo em uníssono. E sim, você leu certo: crítica e público juntos, aplaudindo a mesma coisa. Isso não é trivial. É um feito inédito entre as adaptações da franquia para o cinema, e diz muito sobre o que Cregger conseguiu fazer com o material.
O homem por trás do caos
Falar de Zach Cregger é falar de alguém que chegou ao terror por um caminho inusitado. Comediante e ator, ele é membro fundador do grupo de comédia The Whitest Kids U' Know e estrelou sitcoms antes de virar as costas para as risadas e mergulhar de cabeça no horror. O resultado desse mergulho foi Noites Brutais, de 2022, e A Hora do Mal — dois filmes que receberam elogios da crítica e do público e consolidaram sua reputação como um diretor que sabe construir tensão de verdade. Ele entende ritmo, sabe onde colocar o susto e, mais importante, sabe como manter a plateia grudada na poltrona sem precisar de recursos baratos.
Essa bagagem toda parece ter sido a combinação certa para uma franquia que precisava de um novo olhar. Cregger não tentou reproduzir o jogo quadro a quadro — apostou numa perspectiva própria, e a aposta rendeu.
E os fãs raiz?
Claro, nem tudo é unanimidade. Parte dos jogadores mais tradicionais ainda demonstra ressalvas com as liberdades criativas da narrativa. Eles querem fidelidade, querem reconhecer cada corredor de Raccoon City, cada referência, cada monstro no lugar certo. É uma postura legítima, e a gente entende o apego. Mas adaptar uma franquia desse tamanho para o cinema sem mexer em nada é quase missão impossível — e, pelo visto, a escolha de Cregger em construir algo novo dentro do universo já conhecido valeu cada centavo investido.
O filme segue em exibição nos cinemas brasileiros. Se você ainda não entrou nessa, a janela ainda está aberta — e os números sugerem que vale a corrida até a sala escura mais próxima.
