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Jorge Ben Jor prova que a idade é só um detalhe com show histórico no Nubank Parque

Imagina ter 87 anos e ainda ter mais pique que a maioria de nós no sábado à noite. Foi exatamente essa a sensação de quem acompanhou o show de Jorge Ben Jor no Nubank Parque, em São Paulo, no dia 17 de outubro de 2026. O músico, que sempre manteve a idade sob sigilo, mostrou que o número no RG não tem nada a ver com a disposição de quem comandou o palco por mais de duas horas com um vigor impressionante.

Jorge Ben Jor foi nomeado em 2008 pela Rolling Stone Brasil como o 5.º maior artista da história da música brasileira e, em 2012, incluído pela revista na lista dos 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão. Conhecido por ser seletivo com suas aparições, ele faz pouquíssimos shows por ano e foge de fórmulas prontas, como turnês de despedida ou comemorações de datas redondas. Por isso, cada vez que ele surge, é como se um alquimista revelasse seu segredo.

Um estádio lotado e a magnitude do evento

O show não foi apenas uma apresentação, mas um evento de proporções gigantescas. De acordo com a assessoria, 51 mil pessoas lotaram o Nubank Parque. A gente sabe que anunciar show em estádio virou tendência, mas conseguir encher a casa é outra história, especialmente para um artista nacional que, nos últimos dois anos, veio a São Paulo no Espaço Unimed.

O clima não era de adeus, nem de aniversário, mas de uma homenagem em vida a uma trajetória que não tem comparação. Para ampliar a experiência, o palco contou com uma estrutura pensada nos detalhes, com dois telões cúbicos nas laterais e um telão circular atrás da banda, tudo feito para dar mais dimensão ao espetáculo sem exagerar na dose.

O suingue que não deu folga

Desde o primeiro acorde, Ben Jor não deu descanso nem para a plateia e nem para os próprios músicos. O ritmo era tão intenso que, em vários momentos, parecia que o artista estava improvisando na hora, deixando a banda em uma luta constante para acompanhar a sua cadência.

O setlist seguiu a linha clássica que a gente ama, mas trouxe a adição certeira de Errare Humanum Est, do álbum A Tábua. A sequência de hits foi um verdadeiro nocaute, emendando sucessos como Magnólia, Ive Brussel, Menina mulher da pele preta, O telefone tocou novamente, Oba Lá Vem Ela e, claro, País Tropical. Foi aquele tipo de show que prova que o suingue dele é imortal.

Música acima da polarização

Mesmo com a música no topo, o clima externo tentou invadir o estádio. Como o show aconteceu a oito dias do resultado de uma eleição presidencial acirrada, a tensão política estava no ar, embora Jorge Ben Jor não tenha se manifestado sobre o assunto.

O momento mais tenso aconteceu durante a música Costa do Marfim. Quando o cantor entoou o trecho sobre a mulher do vinte e dois, a plateia se dividiu: parte do público gritou Olê, olê, olá, Lula, enquanto outros faziam gestos referentes ao número 22.

Mas a magia de Jorge Ben é justamente essa: ele consegue ser maior que qualquer briga. A polarização não foi capaz de estragar a noite, que culminou em um momento épico com a música Taj Mahal. Para esse clássico, ele reuniu no palco Samuel Rosa, Baby do Brasil, Rael e Edi Rock. Ver essa mistura de gerações e estilos prova que ele é o próprio cânone da cultura brasileira, unindo futebol, simpatia e música. No fim, ele mostrou que, mesmo nos tempos mais difíceis, ninguém faz festa melhor que ele.

Será que a gente consegue chegar aos 87 com metade desse gingado?

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.