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John Coltrane, 100 anos: o gênio do jazz que criou um abraço em forma de disco

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Segura essa: John William Coltrane faria 100 anos hoje. E se você tá pensando "quem?", senta que lá vem história de verdade, daquelas que mudam a vida da gente. Coltrane não é só um nome no panteão do jazz; ele é considerado pela crítica especializada como o maior sax tenor da história do gênero e um dos compositores mais importantes que o jazz já produziu. Sua influência ultrapassa qualquer fronteira musical: vai do rock à música erudita, e continua chegando em pessoas que nem sabem o nome dele — só sabem que alguma coisa ali mexeu com elas.

Esquece aquela ideia de que jazz é coisa de tiozinho. A sonoridade do Coltrane é emoção, técnica e uma busca por algo maior que qualquer rótulo. A Love Supreme, lançado em janeiro de 1965, é a prova máxima disso: um disco que não é só pra ouvir, é pra sentir. Um clássico tão poderoso que continua salvando corações, décadas depois de ter sido gravado.

Do fundo do poço ao amor supremo

Pra chegar nessa obra-prima, o Coltrane não teve vida fácil, não. O cara conheceu o fundo do poço de pertinho: passou anos se afundando e depois, num ato de pura força interior, se reconstruindo. Foi nessa jornada que ele virou estudioso de religião, de filosofia, de tudo que pudesse responder aquela velha pergunta: por que a gente tá aqui? Essa busca ele foi guardando dentro do saxofone, disco após disco, construindo uma linguagem musical que era ao mesmo tempo técnica e espiritual, matemática e visceral. E aí, num determinado momento, ele mesmo sentiu: tinha chegado ao ponto que ele chamou de "completo". Pela primeira vez, tinha tudo o que queria expressar, e era a hora de colocar no mundo.

Imagina só a responsabilidade. Ele convocou os três músicos em quem mais confiava: McCoy Tyner no piano, Elvin Jones na bateria e Jimmy Garrison no baixo. Esse quarteto se reuniu no estúdio de Rudy Van Gelder, em Nova Jersey. E o que aconteceu lá em apenas dois dias de gravação? Simplesmente uma das obras mais importantes que a humanidade já produziu. Dois dias, gente. Se a gente já acha difícil montar a playlist do churrasco, imagina criar algo que vira presente pra eternidade em 48 horas. É pra glorificar de pé.

Uma missão quase divina

O próprio McCoy Tyner dizia que sentiam ter recebido um dom divino — não por ego, mas por missão. E dá pra sentir isso em cada segundo de A Love Supreme. A delicadeza de um homem gentil demais para este mundo, misturada com uma matemática escondida nas frases, o famoso Círculo Coltrane, que estudiosos comparam até com princípios da física. Complexidade absurda, emoção pura. Por trás de toda essa beleza, existiam dores que Coltrane nunca precisou gritar: a luta negra, a segregação, perdas que ele carregou em silêncio. Ele preferia deixar a música falar. E ela fala num volume que dispensa megafone.

Não é à toa que tanta gente encontra refúgio nessa obra. O disco chega sem pedir nada, só fica do seu lado, ajuda a respirar nos momentos mais difíceis. Tem gente que conta que entrava no carro, pegava estrada rumo a lugar nenhum, colocava A Love Supreme no talo com as janelas fechadas — e era o único lugar onde se sentia segura. É esse o tamanho do negócio.

Coltrane tinha o hábito de deixar bilhetes de amor escondidos pela casa para sua mulher, Alice. A Love Supreme é exatamente isso em forma de disco: um bilhete de amor. Mas a gentileza dele nunca ficou só entre as pessoas que ele conhecia. Ela sai do vinil e te alcança, décadas depois, sem nem saber seu nome. A obra máxima de John Coltrane não preenche o silêncio com palavras — preenche com o que as palavras nunca conseguiriam alcançar. Feche os olhos e escute com a alma. A gente garante que é uma das melhores decisões que você vai tomar hoje.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.