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Democracia Corinthiana vira série da HBO com Carrão, Negrini e Ricca

via Instagram @humbertocarrao

Tem coisa mais brasileira do que um clube de futebol virar símbolo de democracia bem antes de a democracia de fato chegar? A HBO apostou que não, e vai transformar a Democracia Corintiana em série. O movimento, que agitou o início dos anos 1980, era simples e radical ao mesmo tempo: jogadores, comissão técnica e funcionários do Corinthians discutiam e votavam juntos os rumos do clube. Num Brasil ainda enrolado na ditadura militar, aquilo era muito mais do que uma briga por escalação.

O elenco foi adiantado à coluna Mônica Bergamo e seria divulgado oficialmente nesta terça (22). E não é elenco de encher linguiça, não.

Humberto Carrão vai interpretar Adilson Monteiro Alves, o dirigente que idealizou o movimento e foi seu principal cartola. É um papel de peso para um ator que construiu uma carreira longa e variada — de personagens de novela como Elano em 'Cheias de Charme' e Fabinho em 'Sangue Bom' até o José Inocêncio jovem de 'Renascer', em 2024, e Afonso Roitman na atual 'Vale Tudo'. Carrão tem o histórico de encarar tipos complexos sem piscar, e Adilson Monteiro Alves, homem que bancou uma utopia dentro de um clube de futebol, certamente vai exigir isso.

Marco Ricca e Alessandra Negrini viverão o casal Vicente e Marlene Matheus, ligados à ala mais tradicional do Corinthians e contrários ao movimento. Mas o arco de Marlene tem uma virada que a narrativa pede para ser contada com cuidado: em 1991, ela se tornaria presidente do Corinthians, sendo a primeira mulher a presidir um grande clube do futebol brasileiro. Ou seja, a personagem que resistiu à Democracia Corintiana acabou fazendo história por conta própria, de outro jeito. Negrini, que acumula prêmios como APCA e Prêmio Guarani e é conhecida pela versatilidade que marcou sua carreira desde os anos 1990, tem material dramático de sobra para trabalhar. E tem vantagem extra: é corintiana de carteirinha, frequentadora assídua da Neo Química Arena, na zona leste de São Paulo. Ela e Carrão foram vistos juntos nas arquibancadas em 16 de agosto, numa partida do Timão contra o Cruzeiro. Chamaram de pesquisa de campo; a gente acredita.

Marco Ricca também não é nome novo em trabalhos exigentes. O ator iniciou a carreira no teatro paulista nos anos 1980, com passagem marcante pelo Teatro do Bexiga e colaborações frequentes com Plínio Marcos. No currículo, dois Prêmios Grande Otelo, dois Prêmios Guarani, um APCA e dois troféus do Festival de Gramado. Alguém com esse histórico vai bem num papel de antagonista que, na vida real, era parte de uma disputa política genuína dentro de um clube de futebol.

Os três líderes históricos do movimento também têm nomes definidos. Pedro Lamin será Sócrates, Guthierry Sotero vai viver Wladimir e Davi Araújo encarnará Walter Casagrande — em seu primeiro trabalho de maior destaque. Três atores, três figuras centrais de uma história que misturou esporte, política e utopia de um jeito que o futebol brasileiro não viu antes nem depois.

A criação e parte da direção ficam com Moara Passoni, que divide a cadeira com Maria Farkas. A direção-geral é de Aly Muritiba, e o roteiro sai da parceria entre Passoni e David Barker — a mesma dupla que trabalhou em 'Democracia em Vertigem', documentário de Petra Costa indicado ao Oscar. A série é produzida pela Maria Farinha Filmes para a HBO e terá elementos ficcionalizados além dos acontecimentos reais. Data de estreia? Ainda mistério. Mas com esse time em campo, a espera já tem razão de ser.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.