MAD BrasilMúsica, celebridades e cultura pop
Entretenimento

Carminha está de volta em "Avenida Brasil 2": mudou ou é golpe?

Quatorze anos depois de prender o país na frente da TV, "Avenida Brasil" está de volta — e a notícia mais bombástica é o retorno de Carminha (Adriana Esteves), a vilã que a gente ama odiar. Mas não é só nostalgia que vai rolar. João Emanuel Carneiro promete um suspense daqueles: será que a nova Carminha é a santa que ela diz ser, ou a gente vai cair no conto do vigário de novo?

A personagem reaparece depois de cumprir pena, dedicada a trabalhos sociais e, pasmem, virada em símbolo público de superação. A pergunta que atravessa a nova trama é se o discurso de redenção é real ou apenas mais um plano para enganar a todos — principalmente a família do Tufão (Murilo Benício) e a Nina (Débora Falabella).

O vilão que fingia ser bonzinho: lição de 1991

Essa dúvida sobre a redenção de um vilão já conhecido tem precedente ilustre na teledramaturgia brasileira. Em "O Dono do Mundo" (1991), o cirurgião plástico Felipe Barreto (Antonio Fagundes) era um riquinho arrogante e manipulador que destruiu a vida de Márcia (Malu Mader) por uma aposta torpe. Lá pela metade da novela, começou a bancar o arrependido, quase um santinho. A gente quase acreditou.

Era tudo farsa. Os capítulos finais revelaram que Felipe continuava o mesmo manipulador de sempre, a mudança de caráter era só mais um joguinho. Márcia conseguiu desmascarar o malandro, mas ele terminou a história numa boa — casado com a filha de um fazendeiro rico e pronto para aprontar de novo. Essa ousadia custou caro ao autor Gilberto Braga: a audiência despencou já no quarto capítulo, o público não engoliu nem a crueldade de Felipe nem o que enxergava como ingenuidade de Márcia, e Silvio de Abreu precisou ser chamado para reformular personagens e acelerar a trama. Braga reconheceu depois que havia pesado a mão na crítica social — mas entregou sua vingança no desfecho, desfazendo o arco de redenção que havia criado para agradar o público mais conservador.

Carneiro e seus mestres do suspense

João Emanuel Carneiro não é de brincadeira quando o assunto é vilão. Em "A Favorita" (2008), ele abriu a novela sem revelar ao público qual das protagonistas era a assassina: Flora (Patricia Pillar), recém-saída da prisão, acusava Donatela (Claudia Raia) de ter cometido o crime pelo qual ela própria fora condenada. O mistério durou até o final do primeiro ato. Flora se revelou mesmo a culpada, mas continuou manipulando todo mundo como se fosse vítima. Ali, o suspense mudou de pergunta: deixou de ser quem mente e passou a ser como Donatela vai desmascarar a rival.

"Avenida Brasil 2" parece misturar o melhor — ou o pior, dependendo do ponto de vista — desses dois mundos. A dúvida sobre a regeneração de um vilão já desmascarado, como em "O Dono do Mundo", e a incerteza diante de uma personagem que é mestra na manipulação, como em "A Favorita". A diferença decisiva é que o público já conhece a ficha corrida de Carminha: as armações contra Nina, a manipulação da família, os crimes, a cadeia. A pergunta deixou de ser quem ela realmente é e passou a ser se alguém com esse histórico pode de fato ter mudado.

Carminha no modo influencer do bem

Na continuação, a Carminha construiu uma nova reputação trabalhando com famílias vulneráveis após a desativação do lixão. Celebrada pela comunidade e pela mídia, tratada como exemplo de superação, ela tenta reconquistar o perdão de todo mundo que sacaneou no passado. Essa reaproximação começa pela filha Agatha (Karol Lannes) e vai alcançando aos poucos a família do Tufão — que agora é um empresário bem-sucedido, enquanto Nina ainda vai sentir o impacto direto dessa volta triunfal.

João Emanuel Carneiro já adiantou que a nova imagem da personagem será um dos motores da continuação, com a trama mexendo principalmente com Nina e a família de Tufão. Ricardo Waddington, que dirigiu a novela original, assume a direção artística da continuação. Estreia prevista: janeiro de 2027.

A gente já está aqui roendo as unhas e preparando a pipoca — mas com um pé atrás. Carminha vai nos entregar uma redenção de verdade ou um golpe tão bem arquitetado que a gente vai aplaudir de pé enquanto é feito de trouxa? Que venha 2027.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.