Monstro: A História de Lizzie Borden — Netflix desenterra um caso de tirar o fôlego

A Netflix acaba de soltar no catálogo Monstro: A História de Lizzie Borden, nova temporada da antologia criada por Ryan Murphy e Ian Brennan. Se você já estava com saudade de uma boa história de crime real contada com aquele capricho de produção que gruda na retina, chegou a hora de cancelar os planos do fim de semana — e talvez os da semana seguinte também.
Ryan Murphy e Ian Brennan: a dupla que não deixa a gente dormir direito
Por trás do projeto estão dois nomes que já provaram, mais de uma vez, que sabem exatamente como transformar o perturbador em televisão compulsiva. Ryan Murphy é escritor, jornalista e produtor de cinema e televisão — um criador com histórico de pegar casos que chocaram o mundo real e reconstruí-los em produções que não largam a cabeça da audiência tão cedo. Do outro lado da parceria está Ian Brennan, roteirista, diretor, produtor e ator, que ficou amplamente conhecido por seu trabalho em séries como Glee e Scream Queens. À primeira vista, parece uma combinação improvável: o cara de Glee mergulhando em assassinatos a machadadas do século XIX. Mas é exatamente essa capacidade de transitar entre registros diferentes — do musical ao true crime — que faz de Brennan um parceiro valioso para Murphy. Juntos, os dois sabem criar narrativas que não são apenas chocantes, mas humanas o suficiente para fazer a audiência se importar de verdade com cada personagem antes de assistir à tragédia se desenrolar.
Lizzie Borden: suspeita, absolvida, imortalizada
A série nos joga direto no dia 4 de agosto de 1892, em Fall River, Massachusetts, onde Andrew e Abby Borden foram encontrados mortos a golpes de machado. O escândalo foi monumental. A principal suspeita foi Lizzie Borden, filha do casal — uma mulher que, dependendo de quem você pergunta, era uma assassina calculista ou uma figura trágica presa numa situação impossível. Ela foi julgada, ela foi absolvida, e o crime jamais foi oficialmente solucionado. Um enigma com mais de 130 anos que ainda arrasta debates apaixonados sobre culpa, inocência e o que aquela família escondia dentro de casa.
A antologia revisita o caso em oito episódios, explorando não só os fatos do crime, mas as relações e tensões que orbitavam aquela tragédia. É o tipo de história que você termina de ver e passa dias discutindo com todo mundo ao redor: a Lizzie era uma monstro ou uma vítima das circunstâncias? O material histórico não responde essa pergunta depois de mais de um século — e é exatamente essa ambiguidade que mantém o caso vivo no imaginário coletivo até hoje.
Quem é quem nessa teia
A antologia Monstro tem o hábito de mergulhar fundo nas figuras que cercam os crimes centrais, dando espessura e contexto a personagens que muitas vezes ficam às margens da narrativa oficial. Não basta mostrar o ato — a série quer entender o universo humano que o tornou possível: as relações, os segredos, as lealdades e as traições que nenhum boletim de ocorrência consegue registrar. Um exemplo que já veio à tona sobre a produção: a personagem Shelby é inspirada em Tyria Moore, ex-namorada de Aileen Wuornos. Isso diz muito sobre a abordagem da série — a câmera não fica só no crime, ela fica nas pessoas que viveram ao redor dele, e é nesse espaço que a coisa fica de fato interessante.
Entender essa metodologia ajuda a calibrar a expectativa antes de apertar o play: Monstro não é um documentário reconstituído, é um mergulho dramatizado nas camadas humanas de histórias que a história oficial nunca deu conta de explicar completamente. E quando o caso é Lizzie Borden — com mais de 130 anos de debates e nenhuma resposta definitiva —, esse espaço de interpretação é imenso.
Então, se suspense, crimes reais e produções bem-feitas são o seu negócio, Monstro: A História de Lizzie Borden é a sua próxima maratona. Corre pra Netflix. E depois volta aqui pra contar: culpada ou inocente?
