'Minha Melhor Amiga': o filme que fez a gente largar o WhatsApp e ir pro cinema com a galera

Se você ainda não correu pra assistir "Minha Melhor Amiga" nos cinemas, aqui vai a pergunta: o que você está esperando? O filme brasileiro não é só sucesso, é fenômeno. Mais de 4 milhões de pessoas em apenas três semanas. Em números: o longa entrou para o top 15 dos filmes nacionais com maior público de todos os tempos. E o melhor? Está virando a desculpa perfeita para aquela reunião de amigos que a gente sempre adia.
Desde a estreia em 3 de setembro, as redes sociais viraram uma febre de gente postando fotos dos seus próprios "encontrões". Tem gente que foi com nove amigos — ocuparam uma fileira inteira. Tem grupo de ginecologistas, psicanalistas, mães e filhas, até ônibus fretado com turmas. Mônica Martelli, que está acompanhando tudo de perto, confirma: são grupos e grupos de mulheres indo ver o filme juntas.
Quem faz isso acontecer
Vamos aos créditos. Dirigido por Susana Garcia, a mesma mente por trás de sucessos como Minha Vida em Marte, Minha Mãe é uma Peça 3 e Minha Irmã e Eu — filmes que estão entre os brasileiros com mais de 5 milhões de espectadores. Susana é, simplesmente, a diretora brasileira com os trabalhos mais vistos na história do nosso cinema.
No elenco e no roteiro: Ingrid Guimarães (a atriz recordista de bilheteria deste século no país, com 27 milhões de espectadores) e Mônica Martelli, que junto com Andrea Batitucci, Luisa Capri, Patrícia Leme e Tati Bernardi escreveram o filme. Quando essa galera se junta, é tiro e queda.
O que o filme traz
"Minha Melhor Amiga" acompanha Júlia e Clara, duas mulheres na casa dos 50 que resolvem viajar pela Europa depois de despacharem as filhas para um intercâmbio. No roteiro: menopausa, divórcio, independência financeira, vida amorosa depois dos 50, libido, maternidade — tudo em uma sequência de cenas-esquetes inspiradas em causos vividos pelas próprias atrizes. Porque, como disse Ariano Suassuna, tudo que é ruim de passar é bom de contar.
E tem um peso emocional real por trás. A amizade das duas se fortaleceu após a morte do ator Paulo Gustavo, em 2021. Ingrid e Mônica falaram várias vezes sobre como ter uma à outra naquele momento foi importante para atravessar o luto — e também para perceber ainda mais o valor do tempo que tinham juntas. Isso está no filme, em forma de homenagem.
Por que isso tocou um nervo
O ponto é que o filme reflete sobre algo que a gente vive e raramente nome: o distanciamento na vida adulta. Aquele que não exige necessariamente um rompimento. As coisas só vão esfriando, ficando para depois, para nunca mais. O "vamos nos ver hoje?" vira "desculpa, amiga, a correria tá muito grande". E é uma perda curiosa porque não tem música, filme ou poema que te ensine o que fazer quando você perde um amigo que um dia conheceu sua vida inteirinha.
Em tempos em que passou a "pegar bem" ser ou ter um amigo de "baixa manutenção", a gente acaba acompanhando a vida só pelos stories: uma viagem de longe, o boysinho novo, a mudança de cidade. A conexão real morre de inanição.
Susana Garcia defende: "Mulheres de todas as idades, adolescentes, ginecologistas, psicanalistas, todas falando sobre o filme e sobre a importância dos temas que ele traz. É a força da comédia para tratar de assuntos sérios". E Ingrid complementa: o filme deu um sentido de urgência de celebração das amizades. As mulheres lembraram através dele a importância da irmandade feminina.
A desculpa perfeita
Então é isso. "Minha Melhor Amiga" é muito mais que um filme de comédia bem-feito. É um gatilho. Um sinal para você mandar aquele WhatsApp que está no rascunho há meses, desenterrar a lista de contatos e organizar um programa com a turma.
Corra pro cinema, leve seus amigos e celebre essas amizades antes que a vida resolva te lembrar da importância delas de um jeito mais doloroso. E aí, qual vai ser sua desculpa para um encontrão depois do filme?
