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Karim Aïnouz monta elenco de peso e aposta no absurdo em Rosebush Pruning

O cineasta Karim Aïnouz acaba de levar para as telas brasileiras, na quinta-feira (15), o seu novo projeto internacional, Rosebush Pruning. O longa, que já passou pelo Festival do Rio e pela 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, traz uma trama repleta de situações absurdas e moralmente questionáveis.

Karim Aïnouz é um dos diretores mais influentes do Cinema de Retomada no Brasil, com produções premiadas em Cannes, Berlim e no Festival do Rio, incluindo filmes como A Vida Invisível e Motel Destino.

Uma família em queda livre

Ambientado na Catalunha, o filme mergulha na rotina de uma família americana rica e excêntrica. A história foca nos irmãos Jack, Ed, Anna e Robert, que exibem uma superficialidade gritante, priorizando roupas de grife em vez de darem atenção ao próprio pai, um homem cego e dominador.

A estabilidade desse caos muda quando Jack, o primogênito e peça central do grupo, decide deixar a família para morar com a namorada, Martha. Esse anúncio serve como gatilho para uma sequência de fatos inesperados e violentos que acabam por desintegrar completamente a estrutura familiar. Para dar vida a esse elenco, Aïnouz reuniu nomes como Elle Fanning, Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Lukas Gage, Elena Anaya, Tracy Letts e a icônica Pamela Anderson.

Bastidores e a escolha do elenco

O projeto começou a ganhar corpo durante a pandemia, quando Aïnouz encontrou no trabalho uma maneira de lidar com as incertezas daquele período. A ideia surgiu após uma sugestão do produtor Michael Weber, que já havia colaborado com o diretor em Motel Destino e Praia do Futuro. O objetivo era criar uma nova versão do longa italiano De Punhos Cerrados, de 1965, dirigido por Marco Bellocchio e focado em dinâmicas familiares disfuncionais.

Aïnouz viu nessa história uma oportunidade de explorar personagens que não conhecia, fugindo da zona de conforto de narrativas baseadas em pessoas próximas. Ele inclusive conectou o filme ao seu trabalho anterior, descrevendo a obra quase como uma continuação de O jogo da rainha (2023) e Motel Destino (2024), já que todos lidam com patriarcas tóxicos e personagens masculinos perigosos. Além disso, o roteiro dialoga com a experiência de isolamento vivida pelos ricos durante a pandemia.

Sobre a escalação, o diretor contou que já tinha vontade de trabalhar com Elle Fanning e Callum Turner. Ele confessou que, inicialmente, achou que nenhum ator aceitaria o papel por causa do roteiro ser maluco demais, mas aconteceu o oposto. A curiosidade e o desejo de fazer algo diferente de tudo que já tinham feito motivaram o elenco a aceitar as cenas mais chocantes sem resistência.

A marca autoral e o humor ácido

O uso da sátira foi uma escolha consciente de Aïnouz para conseguir falar de temas pesados e polêmicos sem abrir mão do humor. O diretor acredita que esse senso de ironia e as referências do filme serão especialmente bem compreendidos pelos brasileiros, devido à familiaridade do público com situações absurdas no cotidiano do país.

Para garantir que sua identidade fosse preservada em uma produção internacional, o cineasta focou em pilares específicos: a escolha da música, a paleta de cores, a interpretação dos atores e o seu jeito particular de contar histórias. Para isso, ele contou com a fotografia vibrante de Hélène Louvart, com quem já trabalhou em A Vida Invisível, e a trilha sonora de Matthew Herbert, que mantém a sonoridade presente em Praia do Futuro e Motel Destino.

Com a estreia de Rosebush Pruning, Aïnouz já olha para o futuro com dois novos projetos internacionais. Um deles, que ainda leva o título provisório de Neon River, terá parte da trama ambientada no Japão. Para o diretor, o fator determinante não é se a história se passa no Brasil ou no exterior, mas sim encontrar personagens e narrativas que o apaixonem.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.