Luis Fernando Veríssimo e a agonia de fazer aniversário

Para Luis Fernando Veríssimo, escritor, humorista e músico brasileiro, quanto mais velha a pessoa fica, mais esquisita fica a comemoração do aniversário. No livro As Mentiras que as Mulheres Contam, ele mandou a real: depois de certa idade, fazer aniversário é temerário e qualquer parabéns, mesmo sincero, soa como ironia.
Em vez de entrar no modo drama com a passagem do tempo, Veríssimo preferia rir da situação. Para ele, a comemoração era esquisita porque, ao mesmo tempo que se celebra mais um ano de vida, é impossível não notar que há um ano a menos pela frente.
Essa vibe descomplicada ficou clara em 2016, quando ele bateu os 80 anos. Ao ser questionado sobre a sensação, ele respondeu sem pose que a gente simplesmente se distrai e, quando percebe, já chegou nessa marca. Na época, ele até brincou que não faria balanço da vida porque ainda pretendia viver muito tempo.
Ele explicou que chegar aos 80 trazia um sentimento duplo: a alegria de ter chegado longe, mas com a consciência de que cada novo aniversário significava um ano a menos de existência. Não era pavor, era só a realidade encarada com o bom humor que era a marca registrada dele.
Filho do escritor Erico Verissimo, Luis Fernando nasceu em Porto Alegre em 26 de setembro de 1936 e viveu parte da infância nos Estados Unidos. Ele deixou um legado imenso, com mais de 80 títulos publicados, consolidando-se como um dos nomes mais populares da literatura contemporânea do Brasil.
E aí, você também acha que o 'parabéns' vira deboche depois de certa idade ou encara as velinhas com tranquilidade?
