Hope - O primeiro impacto estreia no Brasil com começo épico e final decepcionante

Hope - O primeiro impacto chegou aos cinemas brasileiros em 8 de outubro de 2026. A obra, dirigida por Na Hong-Jin, começa com uma sequência de abertura considerada excelente, estabelecendo um ritmo alucinante logo nos primeiros minutos e oferecendo pouquíssimos respiros para quem está assistindo.
O início da trama acompanha um delegado, interpretado por Hwang Jung-min, em um pequeno vilarejo de pescadores na Coreia do Sul. A história começa com a investigação de um boi que foi estraçalhado no meio da estrada, mas a situação evolui rapidamente para uma caçada desesperada. O objetivo é encontrar um predador misterioso e letal que deixa um rastro de sangue, vísceras e destruição por onde passa.
Tensão máxima e a chegada de Hoyeon
Essa primeira hora do filme é descrita como um cartão de visitas raro, funcionando como um thriller de monstro com toques de comedia cínica, algo típico do cinema coreano. A tensão é construída em cada esquina do povoado, seja através de barulhos nas paredes ou rajadas de tiros distantes. Para isso, o diretor contou com a fotografia nervosa de Hong Kyung-pyo e a atuação de Hwang Jung-min.
Um pouco antes da grande virada na história, surge a personagem de Hoyeon, atriz que foi destaque na primeira temporada de Round 6. Ela interpreta uma policial que traz um novo fôlego à caçada, adicionando leveza, humor e muitas armas ao longa. No entanto, a entrada espetacular da personagem acaba sendo o prenúncio de uma tragédia narrativa.
A queda livre para o clichê
Se o começo é um exemplo de cinema, a segunda metade do filme, que tem 2 horas e 40 minutos de duração total, é onde as coisas complicam. A produção tira o pé do acelerador e passa a tomar decisões erradas, resultando em uma queda livre em espiral. O filme transita de um thriller de monstro para os clichês mais cansados da ficção científica, perdendo o ritmo e a tensão que haviam sido estabelecidos.
Um dos pontos críticos é a revelação das origens da criatura e a mudança do ponto de vista, que deixa de focar nos humanos para focar nos antagonistas misteriosos. Isso anula completamente o suspense. Embora a qualidade das cenas de ação continue sendo invejável, os contextos se perdem .
Uma oportunidade perdida em 2026
O desfecho do longa tenta construir a base para uma provável saga cósmica, mas faz isso com diálogos tão batidos e engessados que geram uma sensação de vergonha alheia. A cena final é tão sem propósito que chega a parecer um comentário metalinguístico sobre filmes de verão descerebrados, embora seja difícil acreditar em tal intencionalidade.
Mesmo com a computação gráfica do monstro podendo ser criticada, o filme não é classificado como ruim, mas sim como a maior oportunidade perdida do ano. É raro encontrar uma obra que comece tão bem e termine tão mal, transformando-se, em tempo real, em um acidente de trem intergaláctico. A única exceção positiva na segunda metade é a narrativa escatológica preciosa do tiozinho no hospital.
