Elton John no Rock in Rio 2026: o adeus que não era bem um adeus

Segura essa: Elton John está de volta ao Brasil. Depois de encerrar sua turnê de despedida com mais de 300 shows, o pianista britânico vai fazer uma apresentação única no Rock in Rio 2026, fechando a primeira semana do festival no feriado de 7 de setembro. Para quem achou que tinha perdido o bonde, calma — o bonde voltou, e vai chegar de piano na bagagem.
Estamos falando de um dos músicos mais bem-sucedidos da história. Mais de 300 milhões de discos vendidos. Cinco Grammys, cinco Brit Awards, dois Oscars, dois Globos de Ouro, um Tony e um Kennedy Center Honors. Em 2024, completou o status de EGOT ao receber um Emmy pelo documentário sobre sua turnê de despedida — o que significa que o homem tem prêmios em todas as quatro grandes categorias do entretenimento americano. Nesse ponto, ele já precisaria de uma mala extra só para os troféus.
Só pra contextualizar o tamanho da carreira: Elton John lançou seu primeiro álbum, "Empty Sky", em 1969, mas foi o segundo álbum — autointitulado, de 1970 — que o colocou no mapa mundial, com o single "Your Song". De lá pra cá, cinco décadas de hits que todo mundo conhece, mesmo quem acha que não conhece. E tem um detalhe no currículo que não é pouca coisa: "Candle in the Wind", reescrita em 1997 como homenagem à princesa Diana — sua amiga —, vendeu mais de 33 milhões de cópias e entrou para o Guinness World Records como o single mais vendido da história. Sim, da história toda.
O adeus que não era bem um adeus
A "Farewell Yellow Brick Road Tour" — a turnê de despedida — foi encerrada em 2023 depois de mais de 300 apresentações. A mensagem era clara: Elton não voltaria a fazer longas turnês. E não voltou. Mas um show único no maior festival do Brasil é uma coisa completamente diferente de uma turnê. É uma exceção que faz todo o sentido, porque Elton John não se apresenta em solo brasileiro há mais de dez anos. A volta ao Palco Mundo tem aquela energia de reencontro que a gente sente no peito — a do artista que você achava que não veria mais, aparecendo de surpresa na sua vida.
E tem uma tradição especial nisso tudo, que resume bem a relação dele com o Brasil: desde 1995, Elton reserva "Skyline Pigeon" — faixa lançada em 1969 — exclusivamente para seus shows em solo brasileiro, mesmo quando ela não aparece no repertório padrão da turnê. Nenhum outro país tem esse privilégio. É um carinho silencioso que atravessa décadas e que o público daqui tem e mais ninguém. A faixa está confirmada em algum momento do setlist.
O que esperar do show
Pela média dos sets recentes, podemos esperar entre 16 e 18 músicas. A estrutura costuma ser consistente: quase sempre abre com "Saturday Night's Alright for Fighting" e encerra com "Your Song" — o mesmo single que o lançou ao mundo em 1970, servindo de moldura pra uma carreira inteira. No meio, uma viagem no tempo com "Bennie and the Jets", "Tiny Dancer", "Goodbye Yellow Brick Road", "Rocket Man", "Crocodile Rock", "I'm Still Standing", "Candle in the Wind" e mais uma série de músicas que marcaram gerações. Vai ser difícil não cantar junto. Na verdade, vai ser impossível.
Mas o Rock in Rio reserva surpresas, e há pistas de que o setlist pode ter ao menos uma delas: Elton compartilhou recentemente um registro de "Sacrifice", que não tem entrado nos repertórios recentes. Pode ser que a música apareça por aqui — e se aparecer, vai ser daqueles momentos que quem estiver lá vai contar por anos.
Um feriado de gigantes
Elton John fecha o Palco Mundo às 23h00, mas o dia 7 de setembro já chega pesado antes disso. Luísa Sonza sobe ao palco com Roberto Menescal, Jon Batiste e Gilberto Gil. No Palco Sunset, a programação reúne Vanessa da Mata com Rubel, Roupa Nova com Guilherme Arantes, Péricles cantando Motown e Laufey. É um dia que sozinho já valeria o festival.
O Rocket Man está chegando. E a gente já tá ensaiando as lágrimas para "Your Song".
