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Musical de Percy Jackson chega a São Paulo tentando não irritar os fãs

via Instagram @percyseries

O musical Percy Jackson: O Musical acaba de chegar ao Brasil e chegou no sábado (10 de outubro) ao Teatro Liberdade, no centro de São Paulo. A produção aposta alto na nostalgia e na precisão, começando o espetáculo com a frase exata que abre o primeiro livro da saga, onde o protagonista afirma que nunca quis ser um meio-sangue.

O foco da peça é reproduzir a trama de O Ladrão de Raios. A história acompanha um garoto que descobre ser filho de Poseidon, o deus grego dos mares, e precisa recuperar o raio de Zeus para evitar que uma guerra estoure entre as divindades. A principal diferença da versão teatral é a trilha sonora, que conta com 21 músicas no total.

O desafio da tradução

Levar a obra para o português exigiu malabarismos linguísticos do tradutor Mühlethaler. O maior problema foi encaixar nomes e expressões que os fãs brasileiros já conhecem, mas que em português são bem mais longos do que no inglês. O ritmo das músicas originais não permitia traduções literais sem que algo fosse deixado para trás.

Um exemplo claro aconteceu com o nome do Acampamento Meio-Sangue. Em inglês, a expressão Camp Half-Blood é curta, mas a versão em português não cabia na melodia. A solução encontrada foi trocar o substantivo acampamento por um verbo, resultando na frase onde os personagens cantam sobre o inferno de lidar com meio-sangue vindo acampar. A escolha foi feita justamente para manter o léxico que já faz parte do imaginário de quem leu os livros.

Trauma de adaptações passadas

O clima é de cautela porque a relação entre os leitores de Percy Jackson e as adaptações audiovisuais é bem complicada. A saga foi levada ao cinema em dois filmes, lançados em 2010 e 2013, mas as produções foram detonadas por se afastarem demais da história original. O próprio autor, Rick Riordan, não gostou do resultado, e a franquia cinematográfica morreu ali, sem continuações.

Demorou dez anos para que a Disney tentasse de novo, desta vez com uma série de TV que incluiu Riordan como roteirista para garantir que os detalhes não ficassem de fora. Mesmo com esse cuidado, parte do público ainda não ficou satisfeita com as duas temporadas lançadas no Disney+. Mühlethaler, que não conhecia a saga nem as séries antes de ser contratado, admitiu que hoje se preocupa muito mais com a recepção do público ao trabalhar com obras que já possuem uma base de fãs engajada.

No palco e nos bastidores

Para dar vida ao Percy Jackson, o musical escalou o ator João Lucas, que é conhecido por ser marido de Sasha Meneghel. O elenco conta ainda com Marianna Alexandre no papel da semideusa Annabeth Chase e Thales Cesar como o sátiro Grover Underwood, que inclusive usa pernas peludas e cascos para simular a aparência de bode do personagem.

A produção tenta recriar a fantasia dos livros mesmo com menos verba que as versões de cinema e streaming. As soluções são criativas: Percy luta contra um monstro alado que aparece em projeções em um telão e enfrenta o Minotauro, que é representado por uma marionete de corpo. Já o centauro Quíron é interpretado por um ator que utiliza uma estrutura para imitar a parte traseira de um cavalo.

Segundo a Disney, o Brasil reúne uma das maiores comunidades de fãs da obra fora dos Estados Unidos e é o segundo maior consumidor da série de TV, que tem nova temporada programada para novembro. O próprio Rick Riordan chegou a afirmar que costuma ouvir os brasileiros antes de tomar decisões sobre a obra.

Percy Jackson & the Olympians é uma série de cinco livros de aventura e fantasia que traz a mitologia grega para o século XXI, focando nos dilemas de jovens que descobrem ser filhos de deuses.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.