Lilia Cabral abre o jogo sobre rompimento doloroso com os pais para seguir carreira

Lilia Cabral, de 69 anos, compartilhou detalhes pesados sobre a relação com os pais e como a busca pelo sonho de ser atriz causou um rompimento doloroso. A artista contou que, no início de sua trajetória, não teve qualquer apoio da família e precisou encarar a solidão para construir a própria vida profissional.
Lilia Cabral é uma atriz brasileira.
A luta contra a repressão familiar
A atriz relatou que vivia sob uma repressão muito forte dentro de casa, onde não tinha liberdade para nada. Ela lembrou que até para ir a festinhas precisava retornar cedo para casa. Lilia admitiu que, talvez, suas próprias atitudes fossem duras na época, já que se considera extremamente perfeccionista.
O conflito central era a profissão. Os pais não aceitavam que ela quisesse ser atriz, sendo o pai a figura mais resistente a essa escolha. Diante da falta de apoio, Lilia tomou a decisão drástica de deixar São Paulo e se mudar para o Rio de Janeiro em 1984. Ela chegou à cidade sozinha, sem família e sem apoio, precisando se fazer em todos os sentidos. Para a atriz, esse processo foi duro.
O castigo e a distância do pai
O embate com o pai não terminou com a mudança de cidade; na verdade, a briga se prolongou por anos e causou afastamentos dentro do núcleo familiar. Lilia contou que, ao retornar para São Paulo, o pai chegava a impedi-la de entrar em casa. Segundo ela, o pai a punia, e a mãe ia até a casa da madrinha da atriz para que as duas pudessem se ver.
O reencontro definitivo em casa só aconteceu quando a mãe ficou doente. No entanto, Lilia acredita que isso não foi um ato de perdão do pai, mas sim uma estratégia para que ele não tivesse que cuidar da esposa sozinho e para que a filha sofresse junto, funcionando como mais uma forma de castigo.
Lilia revelou que levou tempo e muita análise para entender que aquela rejeição não era responsabilidade dela, mas sim um problema do pai. Mesmo assim, confessou que a indignação por ter sido tratada de forma injusta a acompanhou por muito tempo.
Ressignificação e perdas
A virada de chave emocional aconteceu de forma inesperada através do trabalho. Lilia contou que gravar uma cena da novela Páginas da Vida, na qual a personagem Marta expulsa a filha de casa, a ajudou a ressignificar a relação com os pais. Coincidentemente, a cena foi ao ar em 25 de julho, data do aniversário de seu pai. Para a atriz, a carga emocional da gravação trouxe a resposta que ela precisava para resolver a questão internamente.
Sobre a morte da mãe, que ocorreu quando Lilia tinha 29 anos, a atriz explicou que convive com a ideia de perda desde a infância. Ela comparou a perda materna à imagem de uma árvore onde a serra corta a raiz: a árvore continua existindo, mas não tem mais onde se apoiar. Apesar disso, Lilia afirma que a lembrança da mãe serve como conforto.
Ela deixou claro que não sente culpa por não ter passado mais tempo com a mãe devido aos conflitos familiares. Lilia descreveu a mãe como alguém muito submissa e afirmou ter consciência de que fez tudo o que podia, declarando que não mudaria sua vida, pois foi corajosa para se libertar, mesmo sofrendo muito sozinha.
Novas raízes: maternidade e parceria
A visão de Lilia sobre família mudou com a chegada da filha, Giulia Bertolli, nascida quando a atriz tinha 39 anos. Ela contou que a filha a ensinou a ser mãe de verdade, mostrando que a prática é diferente dos livros. Lilia revelou que aprendeu a ouvir Giulia e admira a postura destemida da jovem.
No campo afetivo, a atriz falou sobre o casamento de mais de três décadas com o economista Iwan Figueiredo. Segundo ela, a relação se mantém baseada na parceria e na cumplicidade, que se renova constantemente, já que o olhar que trocam hoje não é o mesmo de cinco anos atrás.
A vida no palco como Rita Lee
Atualmente, Lilia está focada no monólogo Rita Lee: Balada da Louca. Após passar por São Paulo, a peça estreia nesta sexta-feira, 9 de outubro, no Teatro Prio, no Jockey Club, no Rio de Janeiro, e segue em cartaz até 15 de novembro. O espetáculo é baseado no livro Rita Lee: Outra Autobiografia e foi idealizado por Guilherme Samora.
No palco, a atriz interpreta os dois últimos anos de vida da cantora, desde o diagnóstico do câncer no pulmão até a morte. Lilia explicou que buscou ir além da irreverência pública de Rita Lee para entregar um retrato mais íntimo, focando na relação da artista com Roberto de Carvalho e com os filhos. Para Lilia, o comportamento de Rita não era canastrice, mas a expressão de alguém que vivia e sentia tudo com verdade.
Quem teria coragem de enfrentar tudo isso por um sonho? A gente torce por quem não desiste!
