MAD BrasilMúsica, celebridades e cultura pop
Entretenimento

Leci Brandão e Emicida juntos: o grito do samba e do rap na Cidade Maravilhosa

Se você perdeu o que rolou na Praça Mauá, na Zona Portuária do Rio, neste sábado (19), segura essa: Leci Brandão e Emicida subiram ao palco juntos, de graça, com a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) atrás deles, tudo sob a batuta do maestro Carlos Prazeres. O Projeto Aquarius, já consagrado pela missão de aproximar a música sinfônica de grandes públicos em espaços abertos, se superou. A gente tá como? Impactado e querendo mais.

Para entender o tamanho do que aconteceu ali, vale um segundo para pensar em quem estava no palco. Leci Brandão — nome completo Leci Brandão da Silva — é cantora, compositora, atriz e política. Filiada ao PCdoB, ela exerce hoje mandato de deputada estadual por São Paulo, o que já seria currículo suficiente para qualquer mortal. Mas o que faz de Leci uma figura absolutamente singular é o lugar que ela ocupa na história do samba brasileiro: uma das intérpretes mais importantes que o gênero já teve. Décadas de carreira, uma voz que carrega a raiz e a cadência do samba como poucas, e uma presença de palco que dispensa adjetivos. Ela não foi ao evento apenas representar um gênero musical — ela foi, como sempre, ela mesma.

Do outro lado do palco, Emicida. O artista paulistano construiu uma trajetória marcada pelo hip-hop e por um diálogo constante com as mais variadas vertentes da música brasileira. Rima afiada, batida que faz pensar e dançar ao mesmo tempo, e uma capacidade rara de transitar entre universos sem perder a identidade. Juntar esses dois mundos — o samba de raiz de Leci e o rap urbano de Emicida — já seria uma proposta ousada. Colocar a OSB no meio, com todos os seus instrumentos e toda a sua grandiosidade, é o tipo de ideia que, quando funciona, vira memória afetiva de quem estava lá.

E o cenário não poderia ser melhor escolhido. A Praça Mauá fica no coração de uma região que concentra alguns dos mais importantes espaços culturais do Rio: o Museu do Amanhã está ali pertinho, assim como o Museu de Arte do Rio (MAR). A Zona Portuária inteira integra um circuito cultural que a cidade vem construindo há anos, e ver esse espaço tomado por público, arte e música gratuita é a prova de que a sede por cultura acessível no Rio é gigante — e real.

O show não foi um evento isolado. Ele faz parte da Semana de Arte do Rio, uma iniciativa da Prefeitura realizada por meio da Secretaria Municipal de Cultura, que chega em 2026 como novidade e já entra direto no calendário oficial do município. A primeira edição vai de 16 a 27 de setembro — doze dias, mais de 400 atrações, nove polos culturais espalhados pela cidade, com concentração principalmente na Região Central. A programação é um festival de festivais: exposições, shows, peças, performances, festivais de circo, de cinema, de literatura. Museus, centros culturais, teatros, galerias e praças viram palco.

Além do encontro histórico de Leci e Emicida com a OSB, a Semana de Arte do Rio ainda reserva shows de Diogo Nogueira e Fafá de Belém, apresentações de Lia Rodrigues e uma homenagem a Ney Matogrosso. Eventos como a FLUP, o Festival Internacional de Circo, o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, o MIMO Festival e o Artes de Portas Abertas também integram a grade — opção para todos os gostos, todas as idades e todas as linguagens artísticas.

O Rio de Janeiro não precisa de muito para virar palco: a cidade já é, por natureza, uma das mais bonitas do mundo. Mas quando a arte toma as ruas de graça, quando samba, rap e música clássica se encontram à beira da Baía de Guanabara, fica difícil argumentar que a Cidade Maravilhosa tem nome errado. Você foi ou ficou no sofá? Qualquer resposta serve — desde que, da próxima vez, você vá.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.