Seu Jorge abre comemorações de BH com show gratuito e declara amor por Minas Gerais

Seu Jorge agitou a multidão em um show gratuito realizado na noite de domingo, 11 de outubro, na Praça da Estação, em Belo Horizonte. A apresentação marcou a abertura oficial do projeto BH 129 – Uma Cidade Inteira em Celebração, que comemora os 129 anos da capital mineira. O evento, promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte via Belotur e em parceria com o Sesc em Minas, inicia um calendário de três meses com atrações culturais, gastronômicas e turísticas. O youtuber Enaldinho também marcou presença na festa.
Seu Jorge é um ator, cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro, reconhecido por transitar entre a MPB, o R&B, o samba e o soul.
A conexão emocional com o jeito mineiro
Em conversa com a Itatiaia, o cantor carioca abriu o coração sobre sua relação com Minas Gerais, afirmando que o estado o faz sentir mais brasileiro. Para ele, BH e Minas representam um lugar que o faz se sentir brasileiro por inteiro, destacando que a região possui uma originalidade e um jeito de ser bem diferente dos demais lugares do país, mantendo-se uniforme ao mesmo tempo em que apresenta um modo peculiar.
O artista detalhou o que mais o encanta nas pessoas da região, citando especificamente o jeito quieto do mineiro e aquele sorriso que é tímido, mas acolhedor. Segundo Seu Jorge, o mineiro consegue ser acolhedor e divertido simultaneamente. Ele se disse honrado por ter sido o primeiro artista a abrir a série de comemorações do aniversário da cidade em um ambiente com um povo tão caloroso.
Influências musicais e o Clube da Esquina
A ligação de Seu Jorge com Minas Gerais é profunda e reflete diretamente em sua formação como músico. O artista revelou que sua música nasce de um lugar que pertence ao estado mineiro. Ele explicou que tudo o que gosta no violão e todo o conhecimento de harmonia que desejava aprender foi concedido por Minas Gerais.
Durante a conversa, ele citou nomes fundamentais para esse processo, como Toninho Horta, Lô Borges, Beto Guedes e Fernando Brant. Outra referência central foi Milton Nascimento. Seu Jorge destacou a singularidade da voz de Milton, definindo-o como um homem negro com uma voz angelical que transita pelo barroco e é construída a partir da música clássica.
O cantor observou que, diferente de muitos timbres de vozes negras, que geralmente vêm de um lugar muito claro, a voz de Milton não segue esse caminho e não possui influência do gospel ou do espírito da música americana. Para Seu Jorge, essa sonoridade é exclusiva de Milton, algo que sempre despertou sua curiosidade.
O conceito por trás de The Other Side
Essa admiração por Minas Gerais também serviu de base para o trabalho mais recente do artista. Seu Jorge relatou que buscou retratar suas essências individuais no álbum de estúdio The Other Side, lançado em 8 de maio de 2026. O disco foi construído ao lado de parceiros que o acompanham há anos, com o objetivo de buscar a própria sonoridade e a do seu grupo de amigos.
O artista explicou que a paleta inicial e a base musical do álbum são Minas Gerais, justamente para garantir que o trabalho tivesse sabor de Brasil. Além disso, ele considerou o álbum um desafio pessoal. Isso acontece porque não se trata de um disco de autor; com exceção de uma canção feita com Marisa Monte, as demais canções ele fez para si mesmo.
Seu Jorge admitiu que fez o disco para a própria satisfação, sem a preocupação se outras pessoas gostariam do resultado, pois a prioridade era que ele mesmo gostasse do trabalho final.
