Pitty volta ao rock com novo álbum e abre o jogo sobre pressões da internet

A espera acabou para quem curte um bom rock nacional. Na sexta-feira, 16 de outubro, Pitty lançou seu sexto álbum de estúdio, batizado simplesmente de PITTY. O trabalho chega com 13 faixas e marca a volta da artista aos lançamentos de inéditos depois de um hiato de sete anos, desde a saída de Matriz, em 2019.
Com mais de duas décadas de carreira, Pitty busca, no novo disco, resgatar a simplicidade do início da trajetória, mas com a bagagem da mulher que se tornou.
Processo intuitivo e terapia musical
O novo álbum não nasceu de planos calculados. Pitty contou que o processo foi absolutamente intuitivo, sem que ela racionalizasse que precisava de tal tipo de música ou batida específica. A obra é, inclusive, o resultado de três anos de terapia transformados em 13 músicas.
O que torna PITTY realmente especial para a cantora é o fato de ter sido escrito totalmente do zero. Diferente de seus costumes, ela não recorreu a anotações antigas ou ideias guardadas. Essa percepção veio através de Rafael Ramos, produtor e parceiro de longa data, que notou que a artista não havia revisitado nenhum material anterior. Por tratar de assuntos atuais e por recuperar a essência do quarto em Salvador e da simplicidade de tocar numa garagem, Pitty sente que este é, na verdade, seu primeiro disco.
Rock, hip-hop e a força feminina
Embora o rock continue sendo o centro da linguagem musical, o álbum abre espaço para experimentações rítmicas. A faixa Armadura, por exemplo, traz uma sonoridade mais dançante, enquanto Desobediente faz um mix de batida de hip-hop com guitarras pesadas e referências melódicas distintas. Para a cantora, a conexão com o hip-hop vai além do gênero musical; ela se identifica com as ideias e as mensagens que as canções carregam.
Essa visão de mundo também aparece na discussão sobre a presença feminina na música. Em Caminhada, Pitty fala sobre sororidade e a importância de apoiar outras mulheres em momentos de fragilidade, especialmente em uma cena que historicamente foi dominada por homens. Ela acredita que houve avanços na participação feminina no rock e admira a força das artistas do rap, mas defende que não deve haver uma separação rígida entre rock de homem e rock de mulher, já que a arte deve buscar equidade.
Para materializar essa ideia, Pitty reuniu diversas mulheres da cena musical no clipe de Sobremesa, o primeiro single do disco. As participações foram organizadas com a ajuda de MC Taya, que apresentou a cantora a nomes do rap que estão inovando no gênero. A ideia é que a equidade passe por artistas compartilhando os mesmos espaços, sem divisões de gênero.
Vida real vs. Redes Sociais
Além da música, Pitty usou a oportunidade para refletir sobre a relação com o público e as cobranças constantes por posicionamentos nas redes sociais. A artista deixou claro que não cede a demandas externas apenas por pressão. Para ela, o mais importante é manter a coerência entre o que pensa e a maneira como vive a vida.
Com mais de 20 anos de carreira, Pitty vê a diversidade de seu público — que envolve pessoas de várias idades e origens — como uma de suas maiores conquistas, preferindo isso a qualquer métrica de sucesso baseada apenas em números.
Sinceridade total e guitarras altas: quem mais precisava desse comeback para animar a semana?
